Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Para investidores, Guedes garante verniz liberal

Operadores dizem que mantém reservas sobre o projeto apresentado pelo deputado até agora, que carece de detalhamentos e peca pela falta de pragmatismo

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 04h00

As esquivas de Paulo Guedes quando perguntado sobre sua determinação para comandar a equipe econômica de Jair Bolsonaro alimentam a desconfiança de operadores do mercado financeiro sobre o sucesso de um eventual governo do candidato do PSL. Para investidores e gestores ouvidos pelo Estado, é justamente a figura de Guedes que dá o verniz liberal que os cativa.

Esses operadores dizem que mantém reservas sobre o projeto apresentado pelo deputado até agora, que carece de detalhamentos e peca pela falta de pragmatismo, mas que o risco do retorno do PT ao poder os assusta muito mais por ora.

Guedes empenha-se há meses na campanha de Bolsonaro, de quem diz ter se tornado amigo. Visitou-o no hospital e posou para fotos ao seu lado para dirimir rumores sobre desentendimentos entre os dois.

Ele mantém subentendido seu papel de futuro ministro da Fazenda, mas costuma expressar condicionantes para sua presença em Brasília no ano que vem: a “mídia” apoiar o futuro presidente, partidos darem governabilidade e Bolsonaro apoiar as reformas liberais.

Ao Estado, em abril, ao ser questionado se desejava participar do governo, disse que ele e Bolsonaro estavam “em conversa”. Durante a entrevista, disse que, não fosse seu projeto de reformas abraçado de fato pelo candidato, estaria “fora”.

Desde então, manteve a postura. Permite que o considerem como futuro “superministro” de Bolsonaro, mas segue deixando no ar seu efetivo papel. “Não sou suicida nem idiota”, disse à Veja em agosto, explicando que está “lutando por uma grande visão”, mas caso ninguém a entenda, “paciência”. À Piauí de setembro fez discurso parecido: “Se não der para fazer o negócio bem feito, que valha a pena, para quê eu vou?”. Pressionado sobre se desistiria, afirmou: “Esse prazer eu não dou. Só depois que ele for eleito”.

Um dos aliados mais próximos de Bolsonaro, o deputado Major Olímpio (PSL-SP) afirmou que “é óbvio para quem quiser ver” que Guedes irá para o governo. “Ele só não confirma isso por pura humildade.”

Um executivo que já trabalhou com Guedes e conversou com a reportagem sob reserva faz a mesma aposta, mas pondera que a relação dele com Bolsonaro pode se desgastar rapidamente caso as propostas liberais não prosperem. A pessoas próximas, quando questionado sobre isso, Guedes costuma brincar dizendo que, se conseguir levar Bolsonaro alguns passos rumo ao liberalismo econômico, sua participação já terá valido a pena. Procurado, Guedes não quis conceder entrevista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.