Paulo Liebert|Estadão
Paulo Liebert|Estadão

Para Ipea, ajuste em contas externas acabou

Levantamento realizado pelo instituto mostra que o déficit de transações correntes retorna a nível inferior à média histórica

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2016 | 21h13

RIO - O Brasil já completou o ajuste nas contas externas, e o déficit em transações correntes no País caminha para fechar o ano em torno de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Nos 12 meses encerrados em setembro, o déficit ficou em 1,3% do PIB, nível inferior à média histórica de 1,8%, segundo dados da Carta de Conjuntura divulgada pelo Ipea nesta quinta-feira, 3.

“O País conseguiu fazer o déficit em transações correntes retornar para um nível inferior à média histórica. Não dá para dizer que terminou o ajuste, porque pode ser que caia ainda mais, pode ser que tenha superávit, como ocorreu na década passada, sob um determinado conjunto de condições”, defendeu Fernando José Paiva Ribeiro, técnico de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea.

O trabalho divulgado pela instituição compara a trajetória recente do déficit em transações correntes com a dos anos 1980 e 1990. No acumulado de janeiro a setembro de 2016, o déficit em transações correntes ficou em US$ 13,6 bilhões, uma redução de mais de 70% em comparação ao mesmo período de 2015, que já estava 33,5% inferior em relação ao período de janeiro a setembro de 2014. O autor vê sinais de estabilização desse déficit, após meses de melhora impulsionada pelo aumento do superávit comercial.

O estudo lembra que a balança comercial brasileira vem registrando superávits da ordem de US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões ao mês desde o final de 2015. No acumulado de janeiro a outubro, o superávit alcançou US$ 38,5 bilhões, três vezes mais que no mesmo período do ano anterior. Mas a melhora é explicada por uma queda acentuada das importações, o que compensa o desempenho também negativo das exportações brasileiras.

“Não é o ideal”, reconheceu Ribeiro, sobre o superávit obtido através da redução maior nas importações do que nas exportações, em vez de crescimento do valor exportado.

O pesquisador ressalta, entretanto, que o volume exportado pelo País vem crescendo (+7,6% de janeiro a setembro de 2016), mesmo em meio a uma estagnação da demanda internacional. As exportações recuam por conta da queda nos preços, que já começa a se reverter, por isso Ribeiro prevê recuperação. Na avaliação dele, nem a valorização do dólar ante o real deve atrapalhar o desempenho do volume vendido pelo País aos seus parceiros comerciais.

“O cenário é até mais favorável. O efeito do câmbio sobre a exportação é pequeno, há outros ingredientes que influenciam mais, como a demanda externa. Essa valorização recente do câmbio tira talvez um pouco de fôlego das exportações, mas não a ponto de travar essa recuperação que temos percebido nos últimos tempos”, estimou.

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