EVERTON OLIVEIRA / ESTADAO
EVERTON OLIVEIRA / ESTADAO

coluna

Fernanda Camargo: O insustentável custo de investir desconhecendo fatores ambientais

Para José Serra, TLP ‘é um erro incrível’

Senador tucano prevê que taxa pode ser vista como ‘inconstitucionale acabar sendo contestada na Justiça’

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Depois de um período em que teve atuação discreta em temas econômicos, o senador José Serra (PSDB-SP) voltou ao centro da cena para afirmar que a Taxa de Longo Prazo (TLP), com a qual o governo pretende mudar a política de juros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e reduzir gastos com subsídios, pode ser considerada inconstitucional e ser questionada na Justiça.

Para o senador, a equipe econômica quer mostrar “serviço” com a proposta da TLP, já que não está conseguindo fazer o que é prioritário, que é o enfrentamento do problema do déficit público. “É para mostrar serviço, mas inutilmente, porque a TLP não traz os tais benefícios que falam”, criticou em entrevista ao Estado. A medida é prioritária para a equipe econômica, que tem evitado a todo custo mudanças na proposta

Serra também avaliou que a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (usada hoje) pela TLP poderá ser contestada na Organização Mundial do Comércio (OMC). “No momento em que o governo vem e diz que são subsídios, vai dar arma para os adversários comerciais. É um erro incrível.”

Ao longo da semana, o senador tucano atacou a proposta do governo e chegou a fazer uma inusitada aliança com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) para barrá-la na comissão especial do Congresso. Apesar disso, a matéria passou na comissão e seu texto básico foi aprovado na Câmara na quinta-feira. Agora, segue para o Senado, onde não deve ter vida fácil.

Serra quer alterar a proposta no Senado. Ele apresentou um projeto alternativo, que elimina a TJLP dos financiamentos do BNDES que provêm de recursos emprestados ao banco pelo Tesouro. Mas mantém a TJLP para corrigir os financiamentos concedidos com os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). “Se quiserem criar a TLP, poderiam aplicar nesse caso, mas, em relação aos recursos do FAT, a meu ver, não tem cabimento”, disse.

Para ele, a TLP vai encarecer os investimentos, sem produzir o efeito de aumentar a potência da política monetária, como prevê o BC. “Essa conclusão é errada”, afirmou. “A ideia da potência, de que não haverá mais vazamentos no controle da oferta de moeda, do ponto de vista da análise econômica, é fantasiosa, porque a Selic não segue esse padrão.” Por outro lado, o que o BNDES empresta por ano em porcentagem do crédito total é mínimo, afirmou.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.