Para JP Morgan, real deve continuar forte mesmo com novas medidas

 Dólar fraco no resto do mundo e juro alto no Brasil devem sustentar valorização da moeda brasileira

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

27 de julho de 2011 | 13h53

As medidas cambiais que o governo adotou hoje (27) devem interromper no curto prazo a tendência de valorização do real ante o dólar, que poderia ficar abaixo de R$ 1,50 nos próximos dias, comentou o estrategista sênior de moedas do JP Morgan em Nova York, Kenneth Landon. "Mas no longo prazo o real deve continuar forte ante o dólar por dois motivos: um deles é que os juros no Brasil são elevados e o outro é que o dólar passa por movimento de enfraquecimento global que não deve ser resolvido logo", destacou.

O JP Morgan estima que o câmbio deve fechar o ano em R$ 1,60. Para Landon, mesmo com a cobrança de IOF de 1% sobre o valor nocional para operações cambiais, que pode até subir para 25%, não deve diminuir de forma sensível o fluxo de capitais para o Brasil. Na sua avaliação, a taxação deve reduzir no curto prazo o apetite mais especulativo de operações de derivativos de dólar, mas a rentabilidade dos juros no Brasil e a tendência de continuidade do fraco vigor da moeda norte-americana não devem alterar de forma substancial o ingresso de recursos estrangeiros no País.

Ao fazer aplicações financeiras no Brasil utilizando o câmbio, investidores internacionais têm dois focos para aferir rentabilidade. Um deles é ganhar com as altas taxas de juros quando aplicam o capital especialmente em renda fixa, dado que a cotação real ex-ante está próxima a 6,8% ao ano. Um outro elemento é a expectativa de valorização do câmbio: se a moeda brasileira se aprecia ante a norte-americana, o investidor consegue ampliar o seu capital original aplicado no País, sobretudo quando atua no mercado futuro, pois atua de forma alavancada numa aposta que tem grandes chances de dar certo.

Para Landon, a decisão do governo de conter a apreciação do real no curto prazo é coerente com o cenário cambial para o dólar. "O pânico de investidores com a questão envolvendo o debate político relacionado à elevação do teto da dívida pública dos EUA deve ser resolvido em algumas semanas", destacou. Contudo, a fraqueza do dólar deve continuar num prazo ainda maior, pois é um reflexo das dúvidas de investidores sobre a recuperação da economia norte-americana. O desemprego naquele país está em 9,2%, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, já acenou que este nível elevado de pessoas desocupadas não deve diminuir em breve e o prêmio Nobel Paul Krugman disse que é viável que os EUA não deverão se reerguer antes de 2013.

Como o Brasil tem perspectivas econômicas favoráveis no longo prazo - o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o PIB deve crescer ao redor de 4,5% neste ano e deve manter um nível semelhante nos próximos anos -, o real tende a ser visto como uma moeda forte por investidores internacionais. Um outro elemento importante é que o País está se beneficiando da alta das commodities, o que melhora as contas externas e colabora ainda mais para apreciar a moeda nacional, com o avanço dos termos de troca nacionais. "Não vemos mudança de trajetória do real ante o dólar por um bom período à frente", destacou Landon. (Ricado Leopoldo)

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