Para juiz, não houve interferência na reestruturação da Varig

Ayoub disse que preço de venda da empresa não foi de apenas US$ 24 milhões, mas de US$ 277 milhões

Alberto Komatsu, Agência Estado

11 de junho de 2008 | 19h11

O juiz Luiz Roberto Ayoub, que coordenou o processo de recuperação judicial da Varig, afirmou nesta quarta-feira, 11, que não houve nenhum tipo de interferência externa na condução da reestruturação da companhia. Em entrevista à agência Estado, disse que o preço de venda da Varig que tem sido veiculado está errado: não foi de US$ 24 milhões apenas, mas de US$ 277 milhões, incluindo emissões de debêntures, o programa de fidelidade Smiles e a obrigação de transportar passageiros com bilhetes já emitidos antes do leilão judicial. Veja também:Dilma nunca deu ordens expressas, mas fez pressão, diz DenisePara Virgílio, venda da Varig pode levar a nova CPISenadores batem boca sobre 'perdão' da dívida da VarigDenise diz que dossiê pretendia pressioná-la psicologicamenteDenise destaca rapidez incomum na certificação da nova Varig 'Governo arquitetou a saída dos diretores da Anac', diz DeniseTurbulências da Varig   De acordo com ele, que concedeu entrevista ao lado da juíza Márcia Cunha, integrante da comissão de juízes responsáveis pela recuperação judicial da Varig, a não sucessão de dívidas para o comprador da Varig e a o congelamento de slots (espaços de pousos e decolagens) foram mantidos por tribunais superiores. Por isso, não considera que suas decisões sejam polêmicas ou controvertidas.  "Qualquer eventual erro na condução do processo, o único responsável é o Poder Judiciário. Agora, querer utilizar um processo para fins de politização isso é inviável, impossível. Não nos prestamos a isso", respondeu Ayoub, ao ser questionado se ele temia que a estratégia do governo de ressaltar o respaldo jurídico da reestruturação da Varig poderia colocar a responsabilidade de eventuais erros sobre o Judiciário.

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