Para Lafer, desafio é ter crescimento sem vulnerabilidade

O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, afirmou que o maior desafio do próximo governo será combinar o aumento da taxa de crescimento da economia e a redução da vulnerabilidade externa do País. Para isso, disse o ministro, a condição básica é aumentar as exportações, considerando ações em dois planos: políticas macroeconômicas voltadas para o comércio exterior e abertura de novos mercados. Lafer ressaltou a importância de concluir as negociações comerciais em andamento, não perdendo de vista a situação econômica mundial. O chanceler preside nesta tarde uma reunião no Itamaraty para discutir as negociações da Alca, na Organização Mundial do Comércio (OMC) e no Mercosul/ União Européia. Participam da reunião representantes do governo, empresários e trabalhadores. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sergio Amaral, que participou da primeira parte da reunião, destacou o desempenho da balança comercial neste ano. A conta das exportações e importações deve encerrar 2002 com um superávit de US$ 9,5 bilhões. Amaral ressaltou que o resultado permitirá uma redução no déficit em conta corrente. A expectativa do ministro é de que o déficit passe de 5% do PIB, em 2000, para 3% do PIB, em 2002. "Na verdade o que muitos candidatos disseram na campanha que iam fazer em seus governos nós fizemos neste ano, que foi a redução substancial no déficit em conta corrente que diminuiu nossa vulnerabilidade externa", afirmou. Sergio Amaral acredita que a redução da necessidade de capital externo pelo Brasil é uma tendência que será mantida nos próximos anos, porque o País deve ampliar seus superávits comerciais. O ministro disse que as exportações devem ter o mesmo desempenho registrado no ano passado mas que, em 2003, devem crescer em pelo menos US$ 5 bilhões, considerando uma melhora na economia argentina e na demanda mundial. Lafer reforçou a tese do colega, lembrando que as exportações se deram em contexto internacional muito adverso, em função da queda do ritmo de atividade mundial. "Portanto, ela (exportação) é indicativa também das condições de competitividade da economia brasileira. E se é verdade que o câmbio ajudou, também é verdade que o câmbio não explica esse desempenho exportador na sua totalidade e no seu significado", disse o chanceler. As vendas para a Argentina caíram 62% este ano e houve uma perda de 6% nos preços dos produtos brasileiros exportados. "Eu não acredito que estes mesmos fatos persistam o ano que vem. Nós temos boas razões para crer que nós iremos aumentar as exportações pelo menos no que diz respeito a compensar esta situação atual", disse Amaral. Para o ministro, o crescimento das exportações é sinal de uma mudança profunda no setor produtivo na última década. " Não se improvisa exportação de avião, automóveis, aço, têxteis e outros mais. Em outras palavras, temos produtos bons e competitivos e, tão logo a demanda mundial aumente um pouquinho, nós podemos aumentar as exportações", disse à platéia. "

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