Para Lamy, sobretaxa do aço não afeta rodada da OMC

O comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy, disse que a crise internacional gerada pela decisão do governo americano de sobretaxar as importações de aço não deverá prejudicar as negociações da nova rodada multilateral da Organização Mundial de Comércio (OMC). "Acredito que, na verdade, isso vai reforçar as negociações da nova rodada, pois mostra que temos que procurar aperfeiçoar os mecanismos multilaterais de comércio", disse Lamy.Durante um debate sobre o seu novo livro - The Europe we want (?A Europa que nós queremos?) - realizado hoje na London School of Economics, Lamy voltou a afirmar que, na avaliação da União Européia (UE), as sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos desrespeitam as regras da OMC. "As normas da OMC dizem claramente que a adoção de salvaguardas é possível apenas quando ocorre um aumento repentino e excepcional das importações de um determinado produto", disse. "Mas isso não ocorreu nos Estados Unidos. Pelo contrário, as importações de aço no mercado norte-americano declinaram no ano passado."O comissário salientou que, nos próximos dias, a UE poderá anunciar a adoção de salvaguardas para as importações de aço. "A barreira nos Estados Unidos fará com que a UE seja inundada com o aço dos países produtores. Teremos, aí sim, uma situação de repentina e excepcional elevação das importações na UE, o que justifica, segundo as regras da OMC, a adoção de salvaguardas. Vamos seguir as regras da OMC.""Grande Diferença"Ao comentar as relações gerais entre a UE e os Estados Unidos, Lamy ressaltou que os dois lados possuem enormes interesses estratégicos comuns. "Mas há também uma grande diferença", afirmou. "Os Estados Unidos, ao longo das últimas décadas, têm exibido uma permanente relutância em aderir aos tratados internacionais enquanto a Europa, ao contrário, tem uma tendência de abraçá-los."O comissário disse que as mudanças da Política Agrícola Comum da UE continuarão a ser promovidas. "A estratégia de conceder subsídios às exportações e impor barreiras às importações agrícolas, promovida na década de 80, mostrou-se ineficaz", afirmou. "Ao longo dos últimos anos estamos vendo a sua substituição por uma política de desenvolvimento rural, que se concentra no aumento da produtividade, da qualidade e na defesa ambiental, entre outros fatores."

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