Paulo Whitaker/Reuters - 13/3/2018
Paulo Whitaker/Reuters - 13/3/2018

Para Lazari, agenda do governo em 2019 já está dada

Segundo presidentedo Bradesco, não será possível fugir de temas como o ajuste fiscal e a simplificação tributária

Cynthia Decloedt e Circe Bonatteli, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2018 | 04h00

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, afirmou que, apesar do cenário de incertezas diante das eleições presidenciais, a projeção do banco é de crescimento da economia brasileira no próximo ano. “Nosso cenário para o ano que vem é de crescimento. Apesar do cenário preocupante, o País ainda é capaz de gerar riqueza”, disse, em debate durante evento organizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em São Paulo.

O executivo não cravou a projeção do banco para a expansão do Produto Interno Bruto em 2019, mas disse que não se trata de um patamar elevado, e sim de um nível sustentável, em torno de 2%. Lazari disse ainda que a agenda do governo federal para 2019 já está dada: ele acredita que há consistência dos principais presidenciáveis sobre temas importantes para o País, como o ajuste fiscal e a simplificação tributária.

Para o presidente da Abrainc, Luiz França, o grau elevado de incertezas políticas tem impedido a indústria da construção de capturar oportunidades de negócios. Mas ele disse acreditar que o setor será capaz de retomar os investimentos quando essas incertezas se dissiparem.

“As oportunidades são visíveis a olho nu, especialmente nas grandes cidades, mas elas não podem ser aproveitadas em função das incertezas que só serão removidas daqui a algumas semanas”, comentou, referindo-se ao processo eleitoral. “Removida a incerteza política, o setor da construção será capaz de retomar investimentos”, disse.

França avaliou que o Brasil está melhor do que nos últimos anos, graças a medidas como a reforma trabalhista e a imposição de um teto para a evolução dos gastos públicos.

Ele alertou, porém, que é necessário preservar o FGTS, que é fonte de recursos para financiar a compra e a construção de imóveis para a população de média e baixa rendas, como as unidades dentro do programa Minha Casa Minha Vida.

“O FGTS é decisivo para se combater o déficit de moradias populares. Preservar o papel do fundo e suas prioridades, sem desviar recursos para outras áreas, é fundamental”, enfatizou.

O diretor do Corporate do Itaú Unibanco, André Carvalho Whyte Gailey, disse ter convicção de que não faltarão recursos para o setor imobiliário, mas que será necessário fortalecer as alternativas e criar novos instrumentos, já que com a popularização das plataformas digitais de investimento a tendência é de os recursos da poupança caírem.

“A poupança vai competir com essas plataformas e precisamos de fontes complementares para dar vazão ao potencial de crescimento do setor imobiliário”, disse. / C.B. e C.D.

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