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Para Lenicov, Argentina fez o que FMI queria

"Com tudo o que já fizemos, teríamos que ter assinado o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)". Esta foi a forma como o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, definiu o atual estado da "lição de casa" que a Argentina tinha pendente com o FMI. Nas últimas semanas - ainda no meio de um cenário político e social turbulento - o governo do presidente Eduardo Duhalde conseguiu, a passo acelerado, assinar um acordo financeiro com os governadores, aprovar o Orçamento Nacional e fazer o peso, a moeda nacional, flutuar livremente em relação ao dólar, depois de uma década de câmbio fixo com a moeda americana.Remes Lenicov sustentou que "com muito menos, os governos anteriores conseguiram diversos acordos com o FMI. O problema é que nos últimos quatro anos nenhum acordo foi cumprido por parte da Argentina, que perdeu o crédito e a confiança".O ministro, em uma reunião com os correspondentes brasileiros na capital argentina, sustentou que "as declarações feitas por parte do Fundo Monetário e do Departamento de Tesouro dos EUA indicam que a direção que tomamos nas medidas é a certa". No entanto, também admitiu que, nestes assuntos, nunca se pode afirmar categoricamente os resultados futuros: "Negociações são negociações".À pergunta sobre a possibilidade de o FMI apresentar mais exigências, o ministro soltou uma gargalhada, dando sinais de que não a descartava: "Vocês são do Brasil, não são extraterrestes. Vocês sabem como estas coisas costumam ser". Segundo Remes Lenicov, "o FMI, antes das negociações, fala sobre pré-condições. Eles vêm ver se estas pré-condições estão cumpridas. E eu acho que já estão pré-cumpridas".Hoje, em Buenos Aires, começaram as reuniões entre os integrantes da missão que o FMI enviou á Buenos Aires e representantes da equipe econômica. Segundo Remes Lenicov, "as negociações ainda não começaram, já que a missão que está em Buenos Aires é de avaliação".No entanto, o ministro disse que espera que as negociações com o FMI "sejam rápidas". Segundo ele, "o ideal é que concluam em março, assim poderemos reverter esta situação de crise", e acrescentou: "Com as medidas que tomamos desde que estamos no cargo, há dois meses, o país vai na direção de uma economia normal e, com isso, terá uma negociação rápida com o FMI".Remes Lenicov admitiu que, se Argentina não puder contar com a ajuda financeira do Fundo, o cenário não será fácil, mas o país "sobreviveria". No entanto, segundo ele, com o auxílio internacional a saída da crise ?poderá ser feita mais rapidamente".O ministro explicou que o acordo com o FMI removerá os atuais obstáculos para conseguir acordos com outros organismos internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial. Remes Lenicov sustentou que é preciso "ter mais fundos para dar mais solidez ao sistema financeiro".Além disso, o ministro disse que, assim que for iniciada a negociação com o FMI, o governo também começará as discussões com os credores internacionais. "Esta renegociação com os credores levará um par de meses. Acho que a Argentina estará em boas condições para a renegociação".O ministro Remes Lenicov anunciou que viajará a Fortaleza, neste sábado, para a reunião do BID. "Nesse mesmo dia começaremos as reuniões, nas quais farei uma síntese das medidas que estamos tomando", disse.A chegadaDesembarcou hoje, em Buenos Aires, o chefe da missão do FMI, o indiano Anoop Singh. Segundo Remes Lenicov, Singh pode permanecer na Argentina até a semana que vem.O vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, afirmou que, ao longo das negociações, o governo argentino não tentará conseguir novos empréstimos do FMI, mas sim, reativar os desembolsos que estavam pendentes por parte do próprio Fundo, do Banco Mundial e do BID.Segundo Todesca, a equipe econômica não possui, no momento, nenhuma outra ajuda em vista. O total pendente por parte do Fundo é de US$ 9 bilhões.MercosulO ministro Remes Lenicov afirmou que o novo tipo de câmbio da Argentina permitirá uma maior coordenação macroeconômica entre este país e o Brasil. "Estamos em uma situação muito boa para fechar acordos nesta área", explicou.Além disso, o ministro sustentou que, possivelmente na semana que vem, o governo implementará uma redução das tarifas para a importação de bens de consumo. Durante a administração do ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, ocorreu uma elevação das tarifas: "Mas com o atual tipo de câmbio (essas tarifas) não são mais necessárias", argumentou Remes Lenicov.O ministro também reuniu-se com os representantes do Grupo Brasil, associação que reúne 200 empresas brasileiras que atuam na Argentina. Durante um café da manhã, Remes Lenicov agradeceu o apoio brasileiro ao governo Duhalde para enfrentar a crise.O ministro ouviu as reclamações das empresas brasileiras, concentradas principalmente sobre os problemas das dívidas dos importadores argentinos. A Petrobras, especificamente, reclamou das retenções de 20% que o governo determinou sobre as exportações de combustíveis.O presidente do Grupo Brasil, Elói de Almeida, declarou que o cenário argentino poder ser de crise, mas que nenhuma empresa brasileira está indo embora do país. No entanto, afirmou que, de forma geral, as empresas brasileiras na Argentina "estão trabalhando com o freio puxado".Leia o especial

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