Para Levy, baixo crescimento inibe investimentos no País

O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, disse, nesta segunda-feira, que um crescimento inferior a 4% ao ano é um limitador à possibilidade de investment grade (opção para investimento com baixíssimo grau de risco) do Brasil. Segundo ele, o Brasil deveria ter um crescimento de 4% sempre - "na velocidade de cruzeiro". "Não tem razão para ser menor do que isso", afirmou, ao falar das condições necessárias para a elevação do rating do País. Levy participa de um seminário promovido pelo Ibef, em que debate com a analista de rating da S&P, Lisa Schineller, as condições para o Brasil chegar a investment grade.O secretário fez uma apresentação sobre os avanços da economia brasileira nos últimos anos, destacando as mudanças nas políticas externa e fiscal. Mesmo se o Brasil apenas mantivesse a atual política fiscal, Levy disse que atingiria o grau de investment grade entre três e quatro anos, porque a relação entre a dívida líquida e o PIB será de 40% ao final desse período. Para Levy, essa possibilidade "não parece ambiciosa" e, nesse sentido, ele defendeu a manutenção da política atual e a continuidade de reformas. Pontos fundamentaisO secretário citou como fundamentais quatro pontos nos quais há necessidade de aprofundamento de reformas: primeiro, conclusão do trabalho do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), como o censo, as novas normas metodológicas e os ajustes das despesas. Segundo, melhorar a qualidade do investimento público, com monitoramento das despesas para que se meça os resultados obtidos, porque, de acordo com ele, o Brasil já gasta recursos semelhantes aos de outros emergentes. Terceiro, criação de medidas que estimulem o investimento privado, como a discussão de questões regulatórias na área de infra-estrutura. Por último, a continuidade da estratégia atual de administração da dívida pública, com a redução do porcentual da dívida atrelada a títulos pós-fixados."Já alcançamos um situação fiscal de bastante conforto em relação aos emergentes", disse Levy, explicando que os superávits primários de outros emergentes são menores do que o brasileiro. Em contrapartida, a dívida bruta brasileira supera a desses países, enquanto a dívida líquida é menor se comparada a muitos deles. Levy destacou ainda que a poupança brasileira só é menor do que a Rússia entre os emergentes.Redução da liquidezLevy disse ainda que é "previsível" a redução da liquidez internacional (volume de negócios), em função do aperto monetário nas economias avançadas. Segundo ele, o Brasil está numa situação de tranqüilidade, em função da virada ocorrida nas contas externas, mas deve se preparar para quando os investidores iniciarem um novo ciclo de investimentos diretos.De imediato, Levy disse que a isenção tributária para os investimentos estrangeiros abriu um novo mercado, o da dívida doméstica, que pode atrair investidores, que não estavam no País. Num segundo momento, ele aposta numa nova onda de investimentos diretos.Ao contrário do ano de 2000, quando o Brasil precisava de US$ 30 bilhões, Levy disse que, hoje, a economia tem superávit na conta corrente. Assim, segundo ele, é importante que o País continue mantendo a disciplina fiscal e aprofunde mudanças para atrair esses novos investimentos."Precisamos estar preparados para que, na hora da retomada dos investimentos nacionais, o Brasil atraia investidores", disse, citando duas vantagens brasileiras: a primeira são os bons fundamentos da economia e a segunda é a garantia do quadro institucional. "Aqui, nenhum investidor precisa ter medo de alguma ziquizira que leve a perda de dinheiro", observou.Assim, segundo Levy, a elevação das taxas de juros, ao invés de prejudicar, pode ajudar o Brasil. "O aperto não é um problema, porque é um prenúncio de investimentos globais", comentou.

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