Para Loyola, petróleo é o que "preocupa um pouco mais"

A alta internacional dos preços do petróleo é o único risco externo sobre a economia brasileira que "preocupa um pouco mais", avalia o sócio da consultoria Tendências e ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola. "A alta do petróleo pode ter três efeitos: uma redução rápida da economia mundial, impacto inflacionário aqui e talvez um aumento na aversão internacional ao risco. Tudo isso é ruim para o Brasil", disse Loyola à Agência Estado.Para ele, a queda nas bolsas internacionais que têm ocorrido nos últimos dias está relacionada a um crescimento econômico dos Estados Unidos abaixo das expectativas do mercado. "Mas isso também tem um lado bom para o Brasil porque reduz a pressão sobre os títulos do Tesouro americano, o que influi para melhorar a procura por papéis brasileiros", diz.Loyola não vê riscos relacionados às eleições nos Estados Unidos e não acredita que haveria uma repetição do que ocorreu na Espanha com um atentado terrorista às vésperas da votação. "Risco de terrorismo nos Estados Unidos sempre existe e se ocorrer um atentado será um problema sério para a economia, mas, se não tiver, a preocupação do mercado com terrorismo tende a diminuir depois das eleições", diz.ChinaEle também avalia que o ritmo de crescimento da China não é sustentável, mas considera que o governo chinês está atento para promover uma desaceleração. "Pode, nesse processo, ter um desastre, mas acho que não vai ocorrer e que a desaceleração será gradual", disse.Nível de reservas internacionais baixoGustavo Loyola avalia que a economia brasileira hoje está muito menos exposta a riscos do que no passado, mas alerta que o nível de reservas internacionais está baixo. "A situação externa está mais confortável, a situação fiscal está melhor, a política monetária é correta, só o nível de reservas internacionais que ainda está abaixo do ideal", disse.Ele não disse qual seria o nível ideal de reservas, mas lembrou que no ano que vem o Brasil deverá pagar o empréstimo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o que irá reduzir ainda mais as reservas. "Mas, se houver um choque forte, o Brasil é sócio e sempre pode contar com o Fundo", afirmou Loyola, colocando a possibilidade de uma renovação do empréstimo com o FMI caso haja necessidade.

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