Para Lula, Brasil e China redesenham o mapa mundial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o reconhecimento, pelo Brasil, do status de economia de mercado à China, é uma demonstração de confiança de que a relação estratégica do Brasil com aquele país "é para valer". Segundo Lula, o reconhecimento é "uma demonstração inequívoca dos objetivos de seriedade e prioridade" que o governo brasileiro dá às relações do País com a China. No encerramento do seminário Brasil-China, realizado no Itamaraty, Lula disse que, desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2003, definiu a China como parceira estratégica para o Brasil. Segundo ele, os protocolos e acordos assinados hoje entre ambos os países definem, de forma muito objetiva, essa parceria estratégica. Ele observou que os dois países estão construindo "uma nova geografia comercial, política e cultural".Os discursos feitos pelos presidentes do Brasil e da China, Lula e Hu Jintao, no Itamaraty ressaltaram, com vigor, que a aproximação entre os dois países está dentro de um contexto de uma nova ordem política internacional. Tanto Lula, com mais discrição, quanto Hu Jintao, mais enfaticamente, afirmaram que a relação dos países fortalece os emergentes. Lula disse que o Brasil está dando um exemplo de como é possível se estabelecer um relacionamento Sul-Sul. "Estamos redesenhando o mapa mundial e estabelecendo uma integração de um novo paradigma para a relação Sul-Sul", afirmou. Comércio - De janeiro a setembro, o Brasil exportou para a China um total de US$ 4,4 bilhões, valor 30% superior ao registrado em igual período de 2003, e importou US$ 2,6 bilhões, o que significa um aumento de 74% em relação aos primeiros nove meses de 2003. "O fluxo de comércio desses nove primeiros meses de 2004 já é superior ao volume de todo o ano de 2003", disse Lula. Na avaliação do presidente, essa intensificação nas relações entre Brasil e China resultará em uma mudança do mapa comercial do mundo. "Estamos redesenhando o mapa mundial em termos de fluxo de mercadorias e rotas comerciais", afirmou o presidente brasileiro. Propriedade intelectual - O governo chinês está disposto a cumprir todos os compromissos relacionados à Organização Mundial do Comércio (OMC), melhorar o ambiente interno para negócios e reformular as estruturas administrativa e jurídica do país para atrair mais investimentos. O recado foi dado pela vice-ministra de Comércio da China, Ma Xiuhong, durante sua apresentação no seminário Brasil-China, que se realiza no Itamaraty."Estamos num momento histórico de crescimento econômico e desenvolvimento de uma sociedade rica", afirmou a ministra. Xiuhong disse que o governo de Pequim quer aproveitar o momento e aperfeiçoar o clima interno para atrair mais investimentos. "Queremos enxugar os procedimentos administrativos e garantir a aplicação de leis que respeitem o direito à propriedade intelectual", exemplificou a ministra.

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