Para Lula, furto em dados da Petrobras é 'sabotagem'

No Chile, presidente conversou por telefone com o ministro da Justiça e pediu informações diárias sobre caso

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

16 de fevereiro de 2008 | 13h56

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o furto de quatro computadores da Petrobrás é uma sabotagem. De Punta Arenas, no Chile, onde se encontrava no sábado, 15, Lula comentou com auxiliares não acreditar na hipótese de "um simples roubo" de laptops. "Isso é muito estranho", disse ele. Preocupado, o presidente conversou por telefone com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e pediu a ele que o informe diariamente sobre o andamento das investigações, agora transferidas para a cúpula da Polícia Federal. Veja também:Material roubado estava em sonda na bacia de Santos, diz PFPF vai apurar em sigilo furto sofrido pela Petrobras'País precisa de lei contra espionagem industrial'Dilma diz que há indícios de espionagem no caso Petrobras  Em conversas reservadas, Lula afirmou que o sumiço de informações estratégicas da Petrobrás não pode ser tratado como um caso qualquer, pois há "fortes indícios" de espionagem industrial. Para o governo, o fato de o furto ocorrer no momento da descoberta de reservas petrolíferas importantes pela estatal e às vésperas de novos leilões de blocos de jazidas com elevado potencial não é coincidência. Lula exigiu que o caso seja apurado com rigor. "Por enquanto é uma questão polícia. O governo não pode brincar em serviço. Se for um caso de segurança nacional, terá que ser enfrentado", disse o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.  A investigação do sumiço está classificada como prioridade pela direção-geral da PF, que decidiu formar uma força-tarefa em trono do caso. A delegada Carla Dolinski, titular do inquérito, terá sua equipe reforçada nos próximos dias por pelo menos mais um delegado pinçado da Superintendência do Rio de Janeiro. Carla foi orientada a apressar o levantamento das informações iniciais sobre o furto para que a investigação produza resultados o mais rápido possível. O inquérito foi aberto no dia 7, mas até o momento não há pistas seguras. A delegada foi orientada a trabalhar com todas as hipóteses, que vão do simples furto à possibilidade de espionagem industrial e a ação de quadrilhas internacionais. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também está em campo. O objetivo é identificar todos os interesses em torno das informações que estavam sendo trabalhadas nos computadores. A Petrobras comunicou à Polícia Federal que vai reformular os esquemas de segurança em torno do transporte de equipamentos utilizados em pesquisas estratégicas da empresa. Dentro da PF, especialistas avaliam que, se ficar confirmada a existência de dados valiosos dentro dos computadores roubados, estará configurada uma evidente falha no sistema de segurança da empresa. Representantes da estatal reuniram-se na última sexta-feira com a diretoria da PF. No encontro, relataram o episódio e informaram que a estatal segue os padrões de segurança adotados por outras grandes companhias petrolíferas.  (Colaboraram Denise Chrispim Marin, Sônia Filgueiras e Vera Rosa)Texto alterado às 15 horas para acréscimo de informações 

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