Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Maia não garante votar reforma da Previdência ainda este ano

Presidente da Câmara indica que falta vontade a partidos em votar as mudanças nas regras da aposentadoria; vice-líder do governo já descarta votação no próximo dia 6

Idiana Tomazelli, Karin Sato, Francisco C. de Assis, Eduardo Laguna, Thiago Faria e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2017 | 16h11

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O ceticismo sobre a capacidade de o governo aprovar a reforma da Previdência cresceu nesta quinta-feira, 30, com o discurso pessimista do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em conversa com investidores. Maia indicou que há falta de vontade dos partidos da base em votar a proposta e que não faz sentido pautar o texto enquanto houver risco de derrota.

Aliados do presidente Michel Temer no Congresso Nacional já descartaram qualquer chance de votar a proposta na próxima semana, diante da ausência de uma medida segura de apoio. Mas o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, insistiu que o governo espera votar a reforma “o mais breve possível”.

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“Não vai dar para votar na semana que vem, no dia 6, como se pretendia, mas tem chance de votar no dia 12. Não podemos tirar esse foco. Deixar para o ano que vem, não tem nada disso”, disse o vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP).

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Um dos responsáveis por levantar o número de votos do governo, ele reconheceu que ainda não há apoio de 308 deputados.

Temer receberá líderes e presidentes de partidos na noite de domingo para conversar sobre a proposta e, segundo Padilha, “auferir dificuldades” que ainda permanecem. O ministro admitiu que as maiores dificuldades são políticas.

“Não é mais corte ou menos corte (na proposta) que vai motivar a votação da Previdência”, afirmou. Ele manteve o tom duro ao dizer que o governo não vai negociar novas concessões.

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onge do crivo da imprensa, Maia falou em evento promovido pelo JP Morgan sobre os obstáculos para aprovar a reforma em um tom mais pessimista.

Segundo ele, o resultado da votação da Medida Provisória do Repetro – programa que suspende a cobrança de tributos federais na importação de equipamentos do setor – na quarta-feira foi um mau sinal. Para ele, essa votação era chave para medir as chances do governo com a reforma.

Mas uma matéria menos complexa acabou escancarando a falta de articulação. Maia disse ainda, segundo apurou o Estadão/Broadcast, que não aprecia as conversas sobre deixar a votação para 2018, mas reconheceu que é difícil viabilizar uma votação na próxima semana.

O ceticismo ampliou ainda mais as incertezas do mercado financeiro sobre a capacidade de aprovação da reforma, considerada essencial para a sustentabilidade das contas públicas.

A desesperança dos investidores levou a B3, bolsa paulista, a cair 1,0% ontem, fechando o mês em queda de 3,15%, o segundo pior resultado mensal de 2017, atrás apenas de maio, quando estourou a crise política. Já o dólar avançou 1%.

Na saída do evento, Maia tentou minimizar o impacto de suas declarações. “Não estou sendo pessimista com a reforma da Previdência, estou sendo realista. Trabalho 24 horas por dia nesse tema”, comentou.

“Se conseguirmos, vamos votar neste ano, mas não posso dar uma data porque não tem voto”, acrescentou, dizendo que faltam “muitos votos”. São necessários 308 deputados apoiando a proposta.

Tucanos. Dono da terceira maior bancada na Câmara dos Deputados, o PSDB marcou para a próxima quarta-feira uma reunião para decidir se fechará questão sobre a votação da reforma da Previdência. Quando um partido fecha questão, isso significa que todos os parlamentares devem votar conforme a orientação de bancada, ou estarão sujeitos a punições.

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