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Para Mantega, alta dos alimentos não deve pressionar juros

De olho no Copom, ministro diz que inflação está 'detectada' e que vai recuar com a queda das commodities

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2010 | 00h00

Um dia depois de o Banco Central (BC) sinalizar a necessidade de aumento das taxas de juros no curto prazo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem que a inflação dos alimentos que acontece no Brasil não é estrutural na economia. Para o ministro, ela está bem "detectada" e vai recuar com a queda das commodities.

Na quarta-feira passada, o BC divulgou o relatório trimestral no qual alerta para os riscos de alta de inflação e prevê que as perspectivas para os preços das commodities agrícolas são de elevação, dados os sinais de que poderá ocorrer redução na oferta dos produtos.

Na contramão do BC, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, colocou o tema ainda mais em evidência alimentando o debate ao divulgar estudo técnico para provar que os alimentos mais beneficiaram do que prejudicaram a inflação. No mesmo dia, o BC também divulgou no relatório trimestral um levantamento inédito sobre a velocidade do repasse de aumentos das commodities para a inflação ao consumidor. No estudo, o BC afirma que o impacto no IPCA acontece já no primeiro mês, com pico no segundo mês após o choque de preço das commodities.

Juros. Por trás da polêmica em torno dos preços dos alimentos, está em jogo a tentativa do ministro de coordenar as expectativas para diminuir a dosagem da alta de juros, que já é dada como certa pelos analistas do mercado financeiro, na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) - a primeira do governo Dilma Rousseff. Mantega tem sido crítico do BC por reagir com alta dos juros à elevações de preços de alimentos, que na sua avaliação são sazonais. O ministro já antecipou que o Ministério da Fazenda estuda a formulação de um índice inflacionário que exclua alimentos e combustíveis, como ocorre na economia dos Estados Unidos.

Mantega disse ontem que 2011 será "um ano bom de continuidade". Segundo ele, será também um ano de ajuste da economia. Porém, ponderou que mesmo assim 2011 terá crescimento forte. Quando foi confirmado no cargo para o próximo governo, Mantega assegurou que o governo fará um ajuste fiscal para conter o aumento das despesas.

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