Para Mantega, auditoria da dívida externa não é importante

Os defensores da auditoria da dívida externa, que foi durante anos uma das principais bandeiras do Partido dos Trabalhadores (PT), receberam hoje um balde de água fria do ministro do Planejamento, Guido Mantega. "Não sei o que descobriríamos com essa auditoria", disse o ministro, em resposta a um questionamento da senadora Ana Júlia (PT-PA), durante audiência pública promovida pela Comissão de Infra-Estrutura do Senado.Mantega observou que o importante, em se tratando da administração da dívida pública, é conseguir taxas de juros baixas. "A dívida não está sendo paga, está sendo rolada", disse o ministro, respondendo a um ponto levantado pela senadora, de que as despesas com a dívida estariam estrangulando os investimentos.O senador César Borges (PFL-BA), cujo discurso lembrava o do PT na oposição, criticou o fato de o governo haver elevado, voluntariamente, sua meta de resultado fiscal de 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) para 4,25%. Em resposta, Mantega afirmou sempre ter sido contra superávit elevado. ?Se pudesse, faria superávit zero?, disse.Ele explicou, porém, que essa medida ainda não é possível em 2004, porque "a dívida pública ainda inspira cuidados". Ainda se dirigindo a Borges, que criticou a opção do governo por medidas ortodoxas na economia, Mantega comentou que a política praticada neste ano não é "nem ortodoxa nem heterodoxa, mas emergencial", afirmou o ministro, destacando que o período de medidas duras na economia está passando.

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