Para Mantega, crise na Europa dura mais '2 ou 3 anos'

Os países emergentes, como Brasil, China, Índia e Rússia, terão de se adaptar para continuar crescendo, porque a crise na Europa não terá solução em curto prazo. A avaliação foi feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta terça-feira (18), em Paris, onde se encontrou com uma plateia de dirigentes de 14 grandes multinacionais do país. Para o brasileiro, os países europeus estão "estagnados", as medidas para socorrer sua economia são "postergados para a eternidade" e não haverá solução em menos de dois ou três anos.

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

19 de setembro de 2012 | 10h40

O diagnóstico foi feito no fim da manhã, em conversa com jornalistas após a palestra a portas fechadas que realizou na embaixada do Brasil a diretores e presidentes de companhias como Carrefour, Casino, Dassault, Peugeot, BNP Paribas e Alstom. "Mostrei a eles por que o Brasil tem condições de continuar em sua trajetória de crescimento, apesar da situação econômica internacional", disse Mantega. "A crise vai continuar, principalmente na Europa, onde não há uma solução de curto prazo."

Segundo o ministro, as medidas adotadas pela União Europeia para combater os efeitos da turbulência, como a criação do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), a nova supervisão do sistema financeiro ou ainda a compra de títulos das dívidas soberanas pelo Banco Central Europeu (BCE), "têm dificuldades de sair do papel. "São medidas positivas", avaliou. "Mas quando você vê as regras, as condicionalidades, elas não saem do papel."

Para Mantega, a crise na Europa não terá solução antes de dois ou três anos porque "tudo fica postergado para a eternidade". "Isso significa que países emergentes têm de se organizar para poder fazer face a essa situação", pregou. "O Brasil tem a vantagem de ter um mercado dos mais dinâmicos, que continua crescendo independente da crise internacional. Nós trabalhamos com alto nível de emprego."

De acordo com o ministro, o Brasil já está crescendo a um ritmo mais acelerado e pode já ter superado a velocidade de aumento do PIB da economia dos Estados Unidos. "Nossa economia está acelerando no segundo semestre. Temos vários indicadores mostrando isso e vamos terminar o ano crescendo 4%, lembrou, citando os programas de estímulo, como a desoneração das folhas de pagamento, a redução do custo de energia e a queda contínua da taxa básica de juros. Além disso, afirmou, o País não enfrenta risco inflacionário.

Estados Unidos

Mesmo sem ser questionado a respeito, Mantega voltou a falar na nova "flexibilização monetária" - ou quantitative easing - do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Para o ministro, ao injetar US$ 40 bilhões na economia, Washington usa o único recurso de que dispõe, que são as medidas monetárias. "Os americanos tomam por falta de possibilidade de tomar medidas fiscais. Eles não têm outra alternativa a não ser tomar medidas monetárias", disse ele, ainda assim criticando: "Querem fazer mais do mesmo, porque a única estratégia que eles têm utilizado é fazer expansão monetária, que vai perdendo eficácia, do meu ponto de vista. É um pouco como chover no molhado."

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