Para Mantega, efeitos dos estímulos começam a aparecer

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, previu nesta terça-feira que os efeitos das diferentes medidas anunciadas pelo governo começarão a aparecer ao longo do segundo semestre. "O governo já pôs em prática uma série de medidas em 2012. (Os efeitos) não são imediatos", comentou.

ADRIANA FERNANDES, CÉLIA FROUFE E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

31 de julho de 2012 | 12h54

Ele citou que a desoneração da folha de pagamentos para 15 setores entra em vigor em agosto. A partir de quarta-feira as empresas pagarão menos INSS, e isso é sinônimo de redução de custo, segundo o ministro.

Além disso, Mantega enfatizou que as medidas do Brasil Maior e a redução da taxa de juros terão efeitos "ao longo do tempo". "Os efeitos vão começar a aparecer agora, e cada vez mais neste segundo semestre", reforçou.

Questionado se novas ações podem ser anunciadas em breve, o ministro fez uma declaração abrangente. "É claro que o governo sempre pensa em medidas para aumentar a competitividade das empresas brasileiras."

O ministro ressaltou que o cenário internacional está cada vez mais competitivo e que a crise leva países a cortarem custos e gastos. "Temos de acompanhar isso, as empresas brasileiras têm de ter as mesmas condições para tornar a economia brasileira uma das mais competitivas do mundo."

Na opinião do ministro, o setor de autopeças brasileiro é o que sofre mais com a retração internacional. "Na União Europeia, o setor que mais sofre é o da indústria automobilística. O Brasil, neste caso, é um país privilegiado, pois mantivemos estado avançado de produção em 2009 e 2010", comentou.

O ministro salientou que o setor de autopeças irá aderir à desoneração da folha de pagamentos a partir de quarta-feira. "Com isso, o custo vai cair", previu. Ele acredita que a situação problemática do segmento poderá ser revertida.

Mantega salientou que a diminuição das importações de autopeças pela Argentina também contribuiu para o quadro negativo no Brasil, mas que isso deve se reverter.

Motos - O ministro admitiu que faltam recursos de financiamento para o setor de motocicletas no Brasil. "Para motos, está faltando financiamento. Os bancos se retraíram na concessão de crédito para motos. Estamos pensando em medidas que vão estimular as retomada das vendas de motos", disse.

Mantega não deu detalhes sobre como poderá beneficiar o setor. Questionado sobre se atenderá o pedido da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) ao Ministério da Fazenda, de liberação de uma nova tranche (parcela) de compulsórios carimbados para ofertar exclusivamente crédito para motocicletas, Mantega disse que vai conversar com o setor.

O presidente da entidade, Flávio Meneghetti, pediu na sexta-feira ao então ministro interino, Nelson Barbosa, um montante equivalente a 10% do que foi direcionado para o setor de veículos. Em maio, o governo liberou R$ 18 bilhões para a concessão de crédito. "Dez por cento deste valor para motos é um volume considerável", avaliou Meneghetti na ocasião.

De acordo com ele, a cada 100 pedidos de crédito para aquisição de motos, apenas 10 são aprovados. A marca, segundo o presidente da Fenabrave, já foi de 30%.

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