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Para Mantega, já é crise. E vai durar

Ministro da Fazenda reduz o tom otimista dos últimos dias; Meirelles não comenta a alta do dólar

Fabio Graner e Adriana Fernandes, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2015 | 00h00

Com a forte piora no clima nos mercados internacionais, que levou o dólar a quase R$ 2 e o Banco Central (BC) a deixar de comprar dólares - o que não ocorria desde setembro de 2006 -, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, diminuiu ontem o tom otimista e demonstrou preocupação com a conjuntura externa. Destacando a atuação dos bancos centrais mundiais e utilizando a palavra ''''crise'''' em referência à situação, ele previu a continuidade de ''''grandes oscilações'''' no mercado por mais algum tempo. Ouça o áudio de Celso Ming   ''''Claro que tenho de ficar atento com a turbulência internacional. É normal que haja um período de grandes oscilações e elas vão continuar até haver um ajuste'''', afirmou Mantega. ''''Os bancos centrais europeu e americano já declararam que vão dar a liquidez que for necessária para o mercado. Isso já é uma garantia pela qual não vai haver um alastramento da crise'''', acrescentou, mantendo o discurso de que o Brasil não será afetado pela turbulência, tanto no crescimento econômico quanto na inflação.O presidente do BC, Henrique Meirelles, evitou fazer análises detalhadas sobre a conjuntura e apenas repetiu o que disse na semana passada: ''''O mercado financeiro opera na mais absoluta normalidade e o Banco Central continua monitorando os mercados mundiais.'''' Questionado se a aproximação do dólar da cotação de R$ 2 preocupava a autoridade monetária, Meirelles limitou-se a responder: ''''Não comentamos a cotação do dólar.''''Meirelles e os diretores do BC se encontraram ontem com Mantega, no Ministério da Fazenda. Segundo a assessoria de Mantega, foi um encontro de ''''rotina'''', para discussão dos temas relativos às duas pastas. Ao deixar o prédio, o ministro não deixou de comentar as fortes oscilações na cotação do dólar, inclusive a decisão do BC de não compra dólares.Para Mantega, a ausência do BC do mercado de câmbio ''''significa que não há um comportamento previsível, de modo que os investidores e os especuladores não saibam, sempre, exatamente o que vamos fazer''''. ''''O BC não é obrigado a fazer leilão. É uma decisão cotidiana'''', acrescentou, destacando que o regime é de câmbio flutuante e o governo não trabalha com um nível para a divisa.''''O que estamos vendo agora é que ele (o dólar) flutua para cima também. Todos diziam que só flutuava para baixo e agora está provado que flutua para cima'''', comentou, mais descontraidamente. ''''Estou olhando menos o dólar e mais a turbulência internacional. Estamos atentos para ver se ela não tem implicações no Brasil. O dólar subiu um pouco mais, mas esse não é um problema ruim.''''O ministro afirmou que não vê reflexos da recente alta do dólar na inflação. Segundo ele, os índices de preços estão sob controle no País. Ele mencionou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas que mostra que os empresários não estão dispostos a promover reajustes.FRASES Guido MantegaMinistro da Fazenda''''Claro que tenho de ficar atento com a turbulência internacional. É normal que haja um período de grandes oscilações e elas vão continuar até haver um ajuste''''Henrique MeirellesPresidente do BC''''O mercado financeiro opera na mais absoluta normalidade e o Banco Central continua monitorando os mercados mundiais''''

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