Para Mantega, parcelamento no cartão deve seguir sem juros

Ministro da Fazenda entende que fim dessa modalidade poderia prejudicar a recuperação da economia brasileira

RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h07

O governo acompanha com atenção o debate entre os bancos sobre a possibilidade de eliminar o parcelamento no cartão de crédito sem cobrança de juros. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita que seria um retrocesso muito grande acabar com este mecanismo. Ele avalia que uma iniciativa desta natureza pode frear o mercado consumidor acostumado com essa facilidade, prejudicar o varejo e atrapalhar a recuperação da economia.

Como esta proposta não tem o apoio da maioria das instituições financeiras, o governo não tem medidas na manga, mas acompanha o debate e poderá intervir para regular o mercado se avaliar ser necessário. Até o momento, somente Itaú Unibanco propôs cobrar uma taxa extra de lojistas que vendem parcelado, sem a cobrança de juros do consumidor. O Bradesco e as instituições públicas são contrários.

O que o governo gostaria de ver, na verdade, é uma redução das taxas de juros do rotativo nos cartões de crédito, que o ministro chamou de "escorchantes" em entrevista ao Estado. A avaliação na equipe econômica é de que a pressão do governo já tem surtido efeito, o que levou o Bradesco a anunciar esta semana um corte nas taxas do crédito rotativo.

No início de setembro, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciaram medidas semelhantes, forçando a concorrência privada a seguir o movimento. Em agosto, o Itaú Unibanco já havia criado uma nova modalidade de cartão, na qual o juro máximo caiu à metade.

Há uma expectativa de que outros bancos também anunciem a redução dos juros no rotativo. Apesar desse movimento, as taxas permanecem elevadas se comparadas a outras modalidades de financiamento.

Na entrevista ao Estado, Mantega mandou um recado às administradoras de cartão de crédito ao afirmar que, se o governo está preocupado com os juros elevados, elas também deveriam estar. Se necessário, o governo poderá agir para regular o mercado e trazer as taxas para patamares mais próximos dos padrões internacionais.

Pressionadas a reduzir os juros no rotativo, algumas instituições argumentaram ao governo que os parcelamentos sem juros acabam provocando a elevação das taxas porque são um risco que é coberto pelas parcelas de quem está no rotativo. A equipe econômica está conversando com os grandes bancos sobre o assunto.

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