Para Mantega, subsídio agrícola expulsa pequeno agricultor do setor

Ministro diz que crise financeira torna urgente a conclusão da Rodada Doha, que deveria acabar com distorções

Nalu Fernandes, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avalia que é imperativo avançar além da assistência tradicional na área de alimentos para um foco no desenvolvimento agrícola. Em discurso ontem no Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial, o ministro alertou que pequenos agricultores estão sendo empurrados para fora do negócio por causa de distorções criadas pelos subsídios agrícolas. Acompanhe a cobertura on line O ministro Guido Mantega participa do 2008 Brazuil SummitLíderes mundiais pedem urgência contra inflação de alimentos Entenda as causas e reflexos da inflação dos alimentos A cronologia da crise do crédito nos EUAO ministro disse que a crise financeira elevou a urgência da conclusão de um acordo ambicioso e favorável ao desenvolvimento na Rodada Doha, que conduza à eliminação de subsídios agrícolas e tarifas nos países desenvolvidos. Com relação aos biocombustíveis, observou que a produção a partir de cana-de-açúcar pode se mostrar como tecnologia promissora em diversos países em desenvolvimento e deveria ser apoiada como fonte estratégica de energia limpa para gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos. "Pesquisa recente corrobora o caso contra mercados altamente protegidos e subsidiados para biocombustíveis no mundo desenvolvido", defendeu.O discurso foi feito por Mantega em nome da Constituency do Brasil no Banco Mundial (Bird), composta por Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago. Ele parabenizou o Bird pelo novo programa para a Política Global de Alimentos, com objetivo de abordar a chamada "meta esquecida do milênio", que é a redução da má nutrição. "Apoiamos o aumento proposto para o investimento em agricultura a fim de ajudar a criar uma revolução verde para a África Subsaariana e outros países pobres." Mantega também parabenizou o presidente do banco, Robert Zoellick, pelo serviço a favor de uma "globalização inclusiva e sustentável". Para Mantega, o Bird deveria estar preparado para fornecer suporte financeiro quando necessário. O ministro acredita que a falta de progresso em diversos países com relação ao cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Milênio tem explicação apenas parcial em fatores domésticos."Fatores externos também têm contribuído", disse o ministro. Muitos países desenvolvidos, ponderou ao Comitê, têm ficado distante de cumprir seus compromissos em apoiar países de baixa renda, incluindo países da África. "A prioridade do Bird em relação aos países pobres deveria conduzir a um maior engajamento com os países de renda média, onde vivem 70% da população pobre". Os países de renda média, disse Mantega, poderiam ajudar os países de baixa renda por meio do comércio, integração regional e cooperação Sul-Sul (trocas comerciais entre os países do Hemisfério Sul). O ministro advertiu que, embora a crise financeira não tenha tido impacto significativo nos países em desenvolvimento, isto pode mudar quando estes países estiverem colhendo frutos dos benefícios econômicos e sociais das conquistas de grande diligência adotadas para eliminar fontes de instabilidade nas próprias economiaS.Assim como no caso do Fundo Monetário Internacional (FMI), Mantega acredita que aumentar a representação dos países em desenvolvimento dentro do Banco Mundial é central para aumentar a legitimidade e eficiência do Bird como uma instituição multilateral.Ele avalia a reforma do Fundo como positiva, mas diz que não pode ser a base para a reforma do Bird, que teria de refletir o mandato distinto da instituição multilateral.

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