Para Mantega, Vale tem ''comportamento satisfatório''

Ministro diz que governo vê com 'bons olhos' o plano de investimentos da mineradora

Adriana Fernandes e Beatriz Abreu, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

O governo "vê com bons olhos" a ampliação dos investimentos de empresas brasileiras no próprio mercado doméstico, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar a estratégia feita para que a Vale e a Petrobrás atuem, também, como grandes players de atração de investidores para o Brasil. "O governo vê com bons olhos todas as empresas que aumentam os investimentos no País. A Vale não é uma exceção", disse.

Esta semana, o presidente da Vale, Roger Agnelli, se reuniu por duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com Mantega e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, para explicitar o programa de investimentos da empresa. "O governo se preocupa se as empresas estão investindo, estão se expandindo e estão aumentando emprego", disse o ministro, em entrevista à Agência Estado.

A Vale, de acordo com Mantega, "tem um sólido programa de investimento", o segundo maior do País, depois da Petrobrás. "Portanto, tem um comportamento bastante satisfatório. É uma das empresas que mais cresceu nos últimos tempos, paga dividendos e tributos. O governo não tem nada a declarar. Está satisfeito com o trabalho", disse o ministro, esquivando-se de detalhar a conversa com Roger Agnelli.

Ele tinha em mãos a reportagem de ontem do Estado que relata as negociações de bastidores para uma eventual reformulação do capital societário da Vale. A reformulação passaria pela saída do Bradesco do bloco de controle da empresa, com a venda de sua participação ao empresário Eike Batista - operação que contaria com o apoio do ministro. O Bradesco, porém, rejeitou a oferta de compra feita por Eike Batista, um negócio que poderia chegar a R$ 9 bilhões.

Na matéria, também são apontadas as críticas, incluindo as feitas pelo presidente Lula, à atuação da empresa, que reduziu os investimentos e demitiu durante a crise. "Não sei se o que está publicado (mostrando a página do jornal) está certo ou não", disse Mantega, que, no entanto, fez questão de dizer não ter qualquer envolvimento com as negociações intermediadas pelo banqueiro André Esteves, do grupo BTG, para que o Bradesco vendesse sua participação na Vale para Eike Batista. "Vi que os jornais estão tratando disso. Mas eu não tenho nada a ver com isso. Não me envolva com isso. É uma questão do setor privado", afirmou.

Mantega confirmou que na conversa com o presidente Lula foram discutidos os investimentos da Vale, e disse também que esse tipo de reunião acontece regularmente. "Nós nos reunimos regularmente com as maiores empresas do País. Em geral, os empresários vêm mostrar os planos de investimento, como estão indo os negócios", comentou. Ele não quis, no entanto, detalhar a conversa. "Não posso divulgar o conteúdo de uma reunião que faço com o presidente Lula". E insistiu: "Só estou dizendo o que se faz nessas reuniões. É o obvio. A Vale tem um plano de investimentos. Vai fazer siderúrgica e fazer suas expansões."

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