André Coelho / Estadão
André Coelho / Estadão

Para Marinho, CCJ não teve 'melhor dos desfechos', mas ele e Guedes avaliam como positiva

Audiência foi marcada por bate-boca e troca de insultos entre o ministro da Economia e parlamentares opositores; Marcos Cintra defendeu Guedes no Twitter: 'peitou a oposição'

André Ítalo Rocha e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 09h49
Atualizado 04 de abril de 2019 | 15h08

SÃO PAULO - O secretário especial da Previdência e do Trabalho, Rogério Marinho, reconheceu nesta quinta-feira, 4, que a audiência da véspera na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados com o ministro da Economia, Paulo Guedes, "não teve o melhor dos desfechos". 

A audiência foi marcada por bate-boca e troca de insultos entre Guedes e parlamentares de oposição, e foi encerrada após o ministro reagir com destempero a uma provocação do deputado Zeca Dirceu (PT-PR). Guedes saiu da Câmara escoltado pela Polícia Legislativa. 

Marinho, contudo, disse que conversou com Guedes após a audiência e que a avaliação de ambos sobre ela é positiva. "A avaliação é positiva porque o dia de ontem não foi para discutir o projeto da reforma da Previdência, para entrar em detalhes, em motivações. Foi um dia para discutir uma questão política, para apresentar as visões de mundo que cada um dos grupos representados tem. Mas quem ganhou a eleição foi um grupo que tem uma visão liberal, que quer desburocratizar e simplificar a Constituição", afirmou. 

O secretário minimizou a avaliação de que o descontrole do ministro Paulo Guedes seja uma mostra de que ele terá dificuldades para ser o articulador político da reforma da Previdência. Marinho argumentou que o bate-boca se deu com parlamentares de oposição, "que não estão interessados em fazer uma discussão propositiva".

"Quem tem interesse tem abertura e condição absolutamente franca para conversar conosco e com a equipe técnica, para influir e dar contribuição ao projeto", disse o secretário ao Estadão / Broadcast, após participar de um café da manhã oferecido pelo grupo Reformar para Mudar, que reúne entidades da construção civil, em São Paulo. "Com quem quer só fazer debate político e ideológico, realmente há uma dificuldade natural."

Para Entender

Entenda como funciona a CCJ, onde é discutida a reforma da Previdência

Etapas seguintes da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania podem definir o futuro da proposta do governo federal para as aposentadorias

Para Marinho, Guedes reagiu com "altivez" à provocação "grosseira" feita no final da audiência na Comissão, em referência ao deputado Zeca Dirceu, que disse que o ministro era "tigrão" com os mais vulneráveis e uma "tchutchuca" com os privilegiados. "Espero que os próximos debates que ocorram no Parlamento ou fora dele tenham nível para que possamos debater o que interessa à sociedade, que é o conteúdo do projeto", afirmou.

O secretário evitou comentar a atuação da bancada do PSL na audiência. Ele disse, no entanto, que ela começou com mais participação de deputados de oposição porque a lista de presença remanesceu da reunião anterior, para a qual os membros da oposição teriam sido os primeiros a fazer inscrição. "Mas o equilíbrio se restabeleceu ao longo da própria audiência", disse.

Para Marinho, Guedes respondeu às perguntas "de forma absolutamente democrática e tranquila". "Escutou os argumentos e, em alguns momentos, até acusações de caráter pessoal, mas teve serenidade e condição para fazer um debate de alto nível", disse.

Marcos Cintra

O secretário especial da Receita, Marcos Cintra, foi ao Twitter para defender Paulo Guedes, após os embates e xingamentos na CCJ. "Paulo Guedes peitou a oposição. Mostrou que não precisa de ajuda para defender sua ideias e aprovar seus projetos no Legislativo", escreveu o secretário nesta manhã. "Esteve sozinho na CD (Câmara dos Deputados), mas contou com respaldo da sociedade para mudar o Brasil."

A mensagem foi escrita após um tuíte publicado na noite anterior, quando Marcos Cintra escreveu que Paulo Guedes "não precisa ter apoio de ninguém para aprovar seus projetos no Legislativo" e que, com "respaldo" da sociedade, o País vai mudar.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.