EFE/Lenin Nolly
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Para Meirelles, mudanças no projeto da Previdência estão dentro do previsto

Governo aceita perder até 30% da eficiência do projeto com as alterações no texto original

Eduardo Rodrigues e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2017 | 22h34

BRASÍLIA - A equipe econômica trabalha para calcular o efeito adicional das mudanças no relatório da Comissão Especial da Reforma da Previdência, com as novas concessões feitas pelo deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA). Ainda sem saber o impacto que representarão as mudanças na economia prevista pelo governo com a adoção de novas regras para a aposentadoria, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse esperar que a soma de todas as alterações no texto original fique dentro dos 30% que o governo aceitaria “perder” de eficácia na reforma.

Ele lembrou que as alterações anteriores feitas na Câmara dos Deputados já haviam reduzido em 24% o efeito fiscal da reforma em um período de dez anos. “Essa economia de 76% que restou do projeto original ainda está dentro do que prevíamos, dentro de um processo normal de negociação com o Congresso, que acreditamos que está indo bem. O importante é que o ajuste fiscal seja substancial e a nossa equipe está calculando os efeitos dessas novas concessões”, disse o ministro ao deixar um fórum sobre liberdade de imprensa, na sede da OAB no Distrito Federal, nesta quarta-feira, 2. 

Meirelles repetiu esperar que a votação da reforma ocorra no plenário da Câmara ainda em maio, mas disse que um eventual atraso de algumas semanas na votação não prejudicaria a medida, formulada para ter efeito durante décadas. “Quanto mais cedo votar, melhor, pela influência sobre as expectativas dos agentes financeiros e pensando na recuperação da economia”, completou.

Durante o evento, o ministro argumentou que o governo está sendo “absolutamente transparente” nas publicações e divulgações sobre a reforma da Previdência. Ele negou que a equipe econômica esteja entrando na “guerra de comunicação” com a oposição utilizando dados incorretos sobre o tema.

“Não há nenhum tipo de enganação nos dados apresentados pela equipe econômica. Tanto que pedimos auditoria do Banco Mundial nas contas da Previdência, que será divulgada em breve. E a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) também virá fazer uma auditoria por conta própria. A ideia é justamente acabar com essas controvérsias”, afirmou

Meirelles também rechaçou a tese de que a reforma prejudicaria os trabalhadores com menor renda. “Isso é uma falácia”, rebateu. “Discussões sobre reformas da Previdência polarizam a sociedade e é normal a maioria ser contra. Mas, quando se leva as informações corretas para as pessoas, explica-se que o déficit é insustentável”, concluiu.

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