Divulgação
Divulgação

Para Meirelles, tensão comercial entre China e EUA não atinge diretamente o Brasil

Ministro da Fazenda afirmou que eleições de outubro representam um risco maior ao crescimento econômico do Brasil do que 'guerra comercial'

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 20h39

Possível candidato à Presidência da República, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, considerou hoje que as eleições majoritárias de outubro representam um risco maior à retomada do crescimento econômico do que as tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

O titular da Fazenda informou ainda que o processo de negociação para isentar o Brasil da sobretaxação das importações de aço nos Estados Unidos ainda não foi aberto. O governo de Donald Trump suspendeu a barreira ao aço brasileiro enquanto durarem as negociações por um acordo bilateral, mas já adiantou que vai cobrar contrapartidas para retirar a barreira definitivamente.

"Agora, sim, eles vão definir o que querem negociar", comentou Meirelles, após participar de encontro com empresários da indústria têxtil na capital paulista.

+ China alerta para risco de 'desestabilização econômica mundial' devido a tarifas dos EUA

O ministro lembrou que, durante a reunião do G20 - realizada nesta semana em Buenos Aires - teve uma conversa "produtiva e franca" sobre o tema com o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, que ficou de levar a mensagem brasileira ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos na volta ao país.

"Não é só questão de contrapartidas. Uma coisa é os Estados Unidos negociando com a China, que é um problema comercial mais abrangente. Outra coisa é a questão específica em relação ao Brasil. O aço brasileiro tem características diferentes das de outras regiões", disse Meirelles, após lembrar que as siderúrgicas norte-americanas utilizam aço semiacabado fornecido pelo Brasil como insumo.

+ EUA confirmam que, por enquanto, Brasil fica de fora de sobretaxa do aço

Ele avaliou ainda que a possibilidade de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China não é boa, mas não afeta diretamente o Brasil, salvo ocorra uma retração forte nas economias dos dois maiores parceiros comerciais do Brasil. "Não acredito que chegue nesse ponto".

"A questão mais importante para nós é o processo eleitoral neste ano, principalmente levando em conta o que vai ser feito pelo próximo presidente", acrescentou o titular da Fazenda, que, mais uma vez, disse que tomará a decisão sobre sua candidatura até o começo de abril.

+ Sem confirmação, Temer anuncia isenção de sobretaxa

Meirelles reforçou as previsões do governo de crescimento de 3% da economia brasileira neste ano, com geração de 2,5 milhões de postos de trabalho.

"As condições estão sólidas para isso. Os investimentos em máquinas e equipamentos no fim do ano passado indicam isso. A compra de bens duráveis pelas famílias, também", afirmou.

+ Trump confirma tarifa para o aço, mas abre espaço para acordos bilaterais

Numa defesa da agenda reformista, Meirelles disse que, embora a carga tributária brasileira seja a mais elevada entre as economias emergentes, o País tem um déficit fiscal de R$ 159 bilhões. "O problema são as despesas obrigatórias, principalmente a Previdência Social", assinalou. Segundo ele, o governo já eliminou todo o crescimento registrado nas despesas discricionárias, onde o Executivo tem maior controle, desde 2009.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.