Para Meirelles, tirar ajuda agora seria um ''perigo''

Presidente do Banco Central volta a defender manutenção das medidas adotadas no auge da crise

Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem que o Brasil está liderando no mundo o processo de saída da crise financeira, mas as "portas" continuam abertas para as empresas que precisarem de crédito com os dólares das reservas internacionais. Na abertura do maior congresso da América Latina de revendedores de automóveis, em Brasília, Meirelles advertiu que o desmonte prematuro de medidas adotadas para o enfrentamento da crise seria um "perigo muito grande" para a economia.

Embora as empresas e os bancos hoje não estejam precisando de dólares, o presidente do BC destacou que o mecanismo automático criado no Brasil com as medidas anticrise dá segurança neste momento de saída da crise.

O mecanismo permite às empresas recorrerem ao BC quando há necessidade. "É um mecanismo regulado pela demanda, pelo mercado. Se for necessário, estamos preparados para atender o exportador que quiser ir ao BC tomar empréstimo das reservas. As portas estão abertas", disse. "É necessário que se mantenha o estímulo." Segundo ele, hoje não há essa necessidade.

O BC, ao contrário, está comprando dólares do mercado, o que vem reforçando as reservas internacionais. "Estamos comprando, porque há uma oferta", disse. Dos US$ 39 bilhões de dólares vendidos no mercado à vista ou emprestados às empresas, US$ 32,6 bilhões já foram recomprados pelo BC até 8 de setembro.

O presidente do BC reafirmou que o governo não vai mexer nos depósitos compulsórios (dinheiro que os bancos têm de depositar no BC). Durante a crise, o BC liberou R$ 100 bilhões em compulsórios para estimular a oferta de crédito, sobretudo aos bancos médios e pequenos.

DESONERAÇÃO

Entusiasmados com o discurso do presidente do BC favorável à manutenção das medidas anticrise, os dirigentes do setor automotivo reforçaram a pressão para que o governo prorrogue até o fim do ano a redução do IPI para a indústria. As alíquotas do IPI voltam a subir gradualmente a partir de outubro.

Mais do que a manutenção do incentivo, o presidente da Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze, defendeu uma redução permanente da carga tributária para o setor.

Segundo Reze, o peso dos tributos no valor do automóvel vai de 25% a 49%. Para ele, o benefício do IPI durante a crise mostrou que a queda dos tributos é boa para todos, porque aumenta as vendas e, consequentemente, a arrecadação.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, também defendeu a redução da carga tributária.

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