Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Para mercado, agenda de eventual governo Temer precisa ser objetiva

Economistas afirmam que governo de transição tem de ser rápido para corrigir os estragos, já que terá duração menor

Adriana Fernandes e Alexa Salomão, O Estado de S. Paulo

02 de maio de 2016 | 08h20

Para economistas ouvidos pelo Estado, faz todo o sentido um eventual governo de Michel Temer ter uma agenda econômica objetiva. Em primeiro lugar, porque será um governo de transição com prazo mais curto de existência. Em segundo, porque agora o cenário não é evitar um estrago, como foi na gestão do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, é corrigir o estrago já feito. “Levy tinha uma agenda de reformas de longo prazo e, obrigatoriamente, uma agenda de curto prazo para tentar evitar que o Brasil perdesse o grau de investimento: ele tentava apagar o início de um incêndio. O PMDB agora encontra tudo queimado”, diz a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics. 

Nesse cenário, rever a estrutura de gastos é prioridade, na avaliação do especialista em contas públicas Raul Velloso. “O gestor público precisa ter liberdade para poder gastar e para escolher o que vai cortar, onde e quando. A desvinculação é uma das melhores medidas a serem tomadas”, diz ele.

O ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas avaliou que a estratégia da equipe de Temer de reduzir a taxa de juros rapidamente está correta, mas o BC tem de avaliar as condições técnicas para isso. “Se o vice gerar a expectativa de que vai fazer o que é preciso, os juros cairão mais rapidamente quanto mais a parte fiscal ajudar”, afirmou. 

E reduzir os juros, para alguns economistas, é fundamental. “É a medida mais imediata para retomar algum nível de atividade, conseguir fazer com que a recessão ao menos pare de se aprofundar – e se não conseguir reverter o quadro atual num prazo razoável, o governo Temer estará perdido”, diz o economista José Luís Oreiro.

Apesar de a composição da agenda e da equipe ser importante, alguns economistas frisam que o ponto-chave ainda é político. “No final do dia, o grande desafio é saber a capacidade do PMDB de aprovar uma agenda mínima no Congresso, qualquer cenário econômico depende disso”, avalia Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos. “Eu sou otimista, para mim, o PMDB entende a gravidade da crise e vai tentar estabelecer uma agenda mínima.” / A.F e A.S. 

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