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Para mercado, ação do BC contra alta do dólar ainda é improvável

Fluxo de capitais continua positivo e a taxa de câmbio ainda não ameaça a estabilidade econômica do País

Reuters,

20 de setembro de 2011 | 12h52

O Banco Central (BC) provavelmente continuará fora do mercado de câmbio por ora, evitando vender dólares mesmo após a rápida valorização da moeda, que encostou em R$ 1,80, avaliam profissionais de mercado.

Embora o dólar tenha subido cerca de 12% neste mês, para o maior nível desde julho de 2010, o fluxo de capitais para o País continua positivo e a taxa de câmbio ainda não ameaça a estabilidade econômica do País, ao contrário da última crise financeira, argumentam os agentes de mercado.

"Não vislumbro essa possibilidade", disse o diretor de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel. "Quando a gente fala em ele (BC) vender, é que se imagina que o dólar esteja muito alto. Mas na verdade o consenso é de que está baixo."

O gerente de operações da Banif Securities, Arnaldo Puccinelli, lembra que a última vez em que o governo queimou reservas para aumentar a oferta de dólares foi em 3 de fevereiro de 2009, quando o dólar estava acima de R$ 2,30.

Naquela ocasião, o mercado global ainda sofria com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers poucos meses antes, que derrubou o mundo em recessão e provocou um colapso momentâneo nas linhas de crédito interbancário, provocando uma fuga de capitais de países emergentes como o Brasil.

Uma repetição desse cenário poderia ocorrer com um eventual calote da Grécia, afirmam operadores. "Acho que ainda está um pouco longe (para o BC vender dólares). Só se a Grécia der 'default'", disse o operador de uma corretora em São Paulo.

Até semana passada, BC ainda comprava

Mas, por enquanto, a entrada de dólares no País continua. Os dados mais recentes do BC revelam fluxo positivo de US$ 8,120 bilhões em setembro até dia 9, com entrada líquida de US$ 67,933 bilhões neste ano.

Na opinião do chefe da tesouraria de um banco dealer de câmbio, que preferiu não ser identificado, somente uma rápida reversão no cenário faria o BC intervir no mercado antes de R$ 1,90. "O fluxo e o nível (cotação) ainda estão 'ok'."

O BC vinha intervindo no mercado de câmbio no sentido contrário, comprando dólares de forma ininterrupta este ano até a semana passada, quando a moeda era cotada a R$ 1,71.

Com a compra de dólares no mercado, o Brasil acumula mais de US$ 350 bilhões em reservas internacionais, recorde histórico. Autoridades enaltecem as reservas como uma importante proteção contra crises internacionais.

Uma possível intervenção antes da venda de dólares no mercado à vista poderia ser no mercado futuro, via contratos de swap cambial, afirmou o tesoureiro do banco dealer. A principal pressão para a alta recente do dólar é oriunda do mercado futuro, onde investidores estrangeiros têm ajustado posições após apostarem com força no começo do ano pela queda do dólar.

"Só nesse mês vencem US$ 2 bilhões (em swap cambial reverso) que ele (BC) deve deixar vencer e poderia antecipar os outros vencimentos, como já fez no passado. Isso é melhor que vender reserva", disse o tesoureiro, mencionando o menor custo de carregamento da posição para o governo. (Silvio Cascione)

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