FILIPE ARAUJO/ESTADÃO
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Para mercado, Bendine dá continuidade à interferência do governo na Petrobrás

Segundo analista, escolha é considerada ruim porque mercado almejava alguém mais distante do governo

Ana Luísa Westphalen, Marcelle Gutierrez, Agência Estado

06 Fevereiro 2015 | 11h36

A informação de que o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, substituirá Graça Foster na presidência da Petrobras foi mal recebida pelo mercado nesta manhã e fez as ações da estatal aprofundarem as perdas mais cedo, levando o Ibovespa às mínimas. A estatal, cujo conselho da está reunido hoje em São Paulo, ainda não confirmou oficialmente a indicação. "A reação do mercado após essa informação já diz tudo. A Dilma Rousseff escolheu um executivo que já é envolvido em problemas de gestão para controlar uma empresa cheia de escândalos originados de problema de gestão. Essa decisão é vista pelo mercado como a continuidade da interferência do governo na Petrobrás", resumiu um operador de renda variável. Conheça as polêmicas nas quais o executivo já se envolveu

Para ele, a decisão de tirar Bendine, que é funcionário de carreira do Banco do Brasil, da presidência da instituição financeira para colocá-lo na Petrobrás pode mostrar que nenhum dos outros profissionais cotados para o comando da estatal aceitaram o difícil desafio de reconstruir a companhia.

Para outro profissional, o trabalho feito por Bendine à frente do Banco do Brasil foi bom "mesmo com toda a interferência do governo", mas ele destaca alguns episódios que o desgastaram e que até hoje não foram esclarecidos. Ele lembra do depoimento do ex-motorista do executivo, que afirmou ao Ministério Público Federal em agosto do ano passado que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando do então presidente do Banco do Brasil. O motorista afirmou que viu o próprio Bendine carregando sacolas de dinheiro para encontro com empresários. Na época, o MPF chegou a instaurar um procedimento investigatório.

Outro episódio lembrado por operadores foi quando Bendine foi alvo de denúncias após conceder um financiamento em condições favorecidas à socialite Val Marchiori, em novembro do ano passado. Com o desgaste, a saída de Bendine do Banco do Brasil chegou a ser cogitada na época.

Antes de Bendine, os nomes cotados para a vaga de Graça Foster até esta manhã incluíram o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o presidentes da resseguradora IRB Brasil Re, Leonardo Paixão; e o do presidente da Vale, Murilo Ferreira. Outros nomes já citados são o do ex-presidente da Ford Antonio Maciel Neto, o ex-presidente da BR Distribuidora Rodolfo Landim e do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

Proximidade com governo. O nome de Aldemir Bendine é ruim, já que o mercado financeiro almejava alguém o mais distante possível do governo, segundo Celson Plácido, sócio da XP Investimentos. Apesar do desejo por alguém do mercado, Plácido detalha que não houve tempo hábil para a negociação, diante da saída abrupta de Graça Foster no início dessa semana.

"A presidente Dilma (Rousseff) queria manter a Graça (Foster) até o final do mês, então teria tempo para atrair um profissional bom, porque há toda uma negociação mais longa envolvida. Como precisou resolver logo com a saída abrupta, a solução foi caseira". Plácido lembra que outro nome cotado foi de Luciano Coutinho, atual presidente do BNDES.

Sobre Bendine, existe uma ligação muito próxima ao governo, apesar de ser funcionário de carreira do Banco do Brasil. Além disso, pode pesar o fato dele não ter conhecimento do setor de petróleo. "Há um risco elevado de a ação andar para trás tudo o que ganhou com a saída de Graça", pontuou Plácido.

No que se refere à troca na presidência do Banco do Brasil por Alexandre Abreu, o profissional da XP comenta que "continua mais do mesmo", mas pode ser ruim para a instituição, já que se a Petrobras precisar de recursos financeiros, o Banco do Brasil terá que ceder. 
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