Para mercado de juros, há espaço para corte da Selic

O mercado de juros adequou as projeções futuras das taxas à avaliação de que há espaço para um corte da taxa de juro, ainda que modesto, na próxima reunião do Copom. Agora, dizem operadores, as taxas dos contratos futuros devem apresentar pouca oscilação, à espera da decisão sobre a Selic. O volume financeiro, portanto, também deve prosseguir baixo, como ocorreu esta manhã. O contrato de julho projetava 15,20%, ante 15,18% de ontem. Segundo operadores, o mercado reduziu os prêmios embutidos nos contratos ontem por causa de alguns fatores positivos que surgiram no cenário: os bons índices de inflação (IGP-M negativo em 0,05% divulgado anteontem e, depois, o IGP-DI de janeiro em 0,49%, considerado um resultado favorável) e, principalmente, a queda do dólar verificada ontem. Para operadores, o sinal que o Tesouro e o Banco Central deram de que R$ 2,00 pode ser considerado um "teto" para a cotação garantiu tranquilidade ao mercado de juros, que sofre diretamente os efeitos do humor do câmbio. Hoje, mais uma boa notícia: o IPCA de janeiro ficou em 0,57%, dentro da expectativa. A inflação não é atualmente razão de ansiedade para o mercado, já que é consenso que essa variável está sob controle. Mas, por causa das notícias sobre crescimento da indústria, os índices de preços recentes aliviam o mercado e endossam a avaliação de que há espaço para que o BC mantenha a trajetória declinante do juro, pelo menos no curto prazo. O mercado ainda não se mostra convicto de que, no médio prazo, o juro prosseguirá em queda. Há duas questões ainda indefinidas que devem sinalizar o rumo da Selic: a continuidade da desaceleração norte-americana e, na contramão, a velocidade do reaquecimento econômico local. Em relação ao segundo ponto, os dados divulgados hoje pela Receita Federal apontam mais uma vez para o crescimento da economia: em janeiro, a arrecadação foi de R$ 17,369 bi. O número, superior às expectativas, é o maior para um mês de janeiro desde 1997 e surpreende por ter ficado acima do verificado em dezembro, o que é atípico. O mercado não reagiu diretamente a essa informação, que reforçaria, em tese, a idéia de que o juro não deve prosseguir em queda forte. Até porque, segundo a Receita, mais do que o crescimento da atividade, foi o combate à sonegação que possibilitou o resultado. De todo modo, para os analistas, neste momento, a decisão do Copom em sua próxima reunião tem agora um peso menor dentro das preocupações do mercado - afinal, manter estável ou cortar em 0,25 ponto não faz tanta diferença assim. A grande expectativa é pela ata do Copom, que justificará a decisão e revelará quais variáveis podem definir o comportamento da taxa daqui para frente. Hoje, o BC não atuou no mercado à vista.

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