Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

Para mercado, novo presidente não mudará política de preços da Petrobrás

Ações da companhia operam em alta nesta segunda; governo quer criar 'colchão' para reduzir alterações de preços diários de combustíveis

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2018 | 13h52

RIO - Em meio a discussões do governo sobre a manutenção ou não da atual política de preço da Petrobrás sobre os combustíveis, o Conselho de Administração da companhia se reúne nesta segunda-feira, 4, para efetivar o atual presidente interino, Ivan Monteiro, no comando da companhia. Em suas primeiras horas de gestão, Monteiro demonstrou que deve corresponder às expectativas do mercado e dar continuidade ao estilo do seu antecessor, Pedro Parente, que pediu demissão do controle da empresa na última sexta-feira, 1º de junho.

+ Produção de diesel no Brasil cai 8% até abril e é o menor em 15 anos

Um sinal dessa confiança por parte dos investidores foi dado pelas ações da empresa, que abriram em alta de mais de 7% no pregão desta segunda-feira e, às 13h, se mantém em alta. As ações ordinária da Petrobrás eram comercializadas em alta de 6,87% nesta tarde, negociadas a R$ 17,27, depois de quedas expressivas na semana passada alimentadas justamente pelas suspeitas de mudanças na política de preços.

De maneira geral, o mercado gostou das primeiras iniciativas de Monteiro, que manteve a equipe de comunicação da empresa, por exemplo, e não gerou expectativa entre os funcionários de grandes alterações na metodologia de trabalho. Ex-diretor financeiro e de relações com o mercado da companhia, Ivan Monteiro tem como característica a divulgação das informações apenas por fatos relevantes, o que não deverá mudar muito.

+ Marun diz acreditar que a Petrobrás vai reavaliar política de preço

Mesmo assim, não está descartada ainda a mudança de ajustes diários dos combustíveis para mensais, com a criação de um mecanismo que não prejudicasse a empresa e ao mesmo tempo garantisse proteção para o consumidor em relação à alta do petróleo no mercado internacional. 

Segundo fontes, para se implementada a nova política, será necessário que o governo encontre uma maneira de compensar financeiramente a Petrobrás, mantendo a igualdade de condições para a empresa competir com importadoras de fora do Brasil.

As discussões para a mudança da política de preços dos combustíveis no Brasil começaram na sexta-feira no Ministério de Minas e Energia (MME) com membros da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo o MME, uma nova reunião seria realizada nesta segunda, mas não foi confirmada.

O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, defende a criação de um "colchão" amortecedor dos impactos cambiais e das oscilações dos preços do petróleo no mercado internacional. "Essa política de proteção terá que preservar a atual prática de preços de mercado para o produtor e importador, o que é tido pela atual administração como um ponto fundamental para a atração de investimentos para o setor. Vai trazer previsibilidade e segurança ao consumidor e ao investidor", explicou o MME em nota.

O Grupo de Trabalho vai convidar especialistas no assunto para ajudar a construir uma solução que permita, por um lado, a continuidade da prática de preços livres ao produtor e importador e, por outro, o amortecimento dos preços ao consumidor, informou o MME. 

 

Mais conteúdo sobre:
Petrobrás Ivan Monteiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.