Carlos Silva/Mapa
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Para ministro da Agricultura, impacto da JBS na carne será longo

Blairo Maggi diz que produção do setor levará tempo para se reorganizar; ministério pediu ao BNDES atenção especial ao setor

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2017 | 10h58

BRASÍLIA - O impacto negativo da crise da JBS sobre a produção brasileira de carne terá efeito prolongado, disse ao ‘Estado’ o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. “Penso que vai demorar um pouquinho para o setor se reorganizar”, comentou. “Até eles (JBS) voltarem a comprar mais, ou os frigoríficos que estão fechados reabrirem, vai tempo.”

Ele tem conversado com donos de diversos frigoríficos que se encontram fechados, mas pensam em reabrir as portas. Essa volta à atividade, porém, não acontece da noite para o dia. Além de colocar a planta em condições físicas de operar e contratar funcionários, é preciso obter uma autorização de funcionamento do ministério. “Não é apertar um botão e sair trabalhando amanhã.”

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A Agricultura estrutura um plano para reorganizar o setor de frigoríficos. “Alguma coisa vai ser feita”, assegurou o ministro. Porém, as opções estão em aberto. “Tem muitas peças sobre a mesa e a gente ainda precisa achar uma saída.” O fragilizado setor sofreu, nos últimos dias, mais um revés com o bloqueio temporário à entrada da carne brasileira nos Estados Unidos, mercado que não ocupa as primeiras posições nas exportações brasileiras do produto, mas serve de referência do mercado internacional.

Uma alternativa proposta pelos produtores é a criação de uma cooperativa que reativaria pequenos frigoríficos. Maggi, porém, não se mostrou entusiasmado, apesar de considerar a ideia boa. “Essas coisas não começam grandes”, comentou. “Até nascer pequeno, ganhar escala, aprender. Em um momento de crise como essa, fundar uma cooperativa e sair vendendo? Para quem?”

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Segundo informou o Estado no dia 15, dois primos do ministro, Fernando e Eraí, estariam interessados nesse projeto. “Não falei mais com eles, mas acho que é conversa”, disse Maggi. “O foco deles é produção, sair abatendo bois não é o negócio deles.”

Na quinta-feira, o ministro conversou com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, para pedir uma atenção especial ao setor. A oferta de linhas de crédito é considerada essencial para “manter o setor em pé”, segundo explicou o secretário executivo da pasta, Eumar Novacki.

Os produtores amargam a queda nos preços da carne pela desaceleração dos abates pela JBS. Antes da crise, era possível programá-los de um dia para o outro. Agora, segundo informações que chegam ao ministério, a demora é de até três semanas.

A crise da JBS ainda não teve impacto nas exportações, disse o ministro. Ele voltou ao País na noite de segunda-feira passada, após um giro pela Ásia. Em Hong Kong, principal mercado da carne brasileira, ele agradeceu o secretário de Alimentos e Saúde, Ko Wing-man, pela compreensão demonstrada na crise. Hong Kong chegou a bloquear totalmente a entrada de cargas brasileiras, mas a medida foi rapidamente revertida.

Inspeção. O governo estuda mudanças no sistema de inspeção de frigoríficos, informou Novacki. Uma delas ajudará a superar críticas feitas pela União Europeia ao sistema brasileiro. Atualmente, a inspeção dos abates de carne para exportação é feita por pessoas pagas pelos próprios frigoríficos, dada a escassez de fiscais nas estruturas dos governos federal, estaduais e municipais. A ideia em análise na Agricultura é criar uma associação de fiscais que seriam pagos por um fundo formado com contribuições de frigoríficos. A pasta ficaria encarregada de coordenar a alocação dos fiscais, além de seu credenciamento e treinamento.

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