Para ministro da Costa Rica, Alca pode existir sem o Brasil

A Área de Livre Comércio das Américas (Alca) poderia ser criada mesmo sem a participação do Brasil. A avaliação é do ministro do Comércio Exterior da Costa Rica, Alberto Trejos. "Se no final do processo negociador (final de 2004) a maioria dos países quiser a criação da Alca, o acordo será assinado. Seria terrível que o Brasil ficasse de fora, mas essa é a realidade", afirmou o ministro. Segundo ele, a Alca não pode ser uma negociação entre Brasil e Estados Unidos. "Não aceitamos que o processo seja o de uma negociação bilateral, com a presença de mais 32 países. A Alca tem que ser uma negociação de 34 países", disse Trejos. Segundo ele, a importância do Brasil no processo não pode ser exagerada, apesar de reconhecer que o País é respeitado pelos demais governos da América Latina. "Os países pequenos também são importantes nas negociações para a criação do bloco", afirma o ministro. A partir do ano que vem, Brasil e Estados Unidos vão dividir a presidência das negociações, em um claro sinal de que os dois governos terão um peso estratégico no formato final do bloco comercial. Trejos, que ressalta que o formato da Alca ainda não está definido, lembra que a maioria dos países da América Central chegará, em 2005, com acordos já firmados com os Estados Unidos e Canadá. Além disso, já terão concluído negociações com o Chile e com os países do Caribe. "Essa rede de acordos facilitará nossa participação em um tratado hemisférico", disse. Trejos, que esteve em Genebra, acredita que os benefícios que a Alca gera são maiores que as ameaças às economias da região. "Os ganhos justificam o processo", afirmou. Ele reconhece que, para que a Alca funcione, o acordo entre os países da região terá que prever uma implementação gradual de seus artigos. O ministro do Comércio da Costa Rica completa afirmando que, apesar de existirem vozes que são contrárias à Alca, a oposição não pode impedir que o bloco seja formado.

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