Para ministro da Previdência, mercado não estagnou

O mercado de trabalho já dá sinais de acomodação, mas ainda não é motivo para a Previdência acender a luz amarela, na avaliação do ministro da Pasta, Carlos Eduardo Gabas. "É uma estabilização, não é uma estagnação. Isso não preocupa", disse ao Estado. Na véspera, seu colega do Ministério do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, anunciou que o saldo líquido de vagas com carteira assinada no País foi de 212 mil em junho - em maio ficou em 298 mil e, em abril, em 305 mil.

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

Nos últimos meses, no entanto, Gabas comemorava os dados positivos do aumento do emprego formal no Brasil e relacionava-os à menor necessidade de financiamento da Previdência. "Imagina se a gente continuasse a crescer do jeito que estávamos... Bateríamos em 500 mil empregos este mês e teríamos de importar trabalhadores." A questão é que o Brasil tem contratado cada vez mais mão de obra especializada para seguir com os projetos nacionais. O ministro voltou a dizer que a previsão para o déficit da Previdência em 2010 será de R$ 47 bilhões.

O ministro garantiu também que qualquer mudança a ser realizada no Regime Geral de Previdência Social preservará as pessoas que estão próximas do período de aposentadoria.

Ajustes. "Quem for se aposentar em cinco ou dez anos não sentirá qualquer mudança", disse Gabas. Ele, que é contrário a uma grande reforma da Previdência por temer uma corrida aos pedidos de aposentadoria, avalia que há necessidade de ajustes pontuais no setor.

O assunto está quente no exterior. Nos últimos dias, países da Europa têm discutido e aprovado o aumento da idade mínima para aposentadoria, chegando a 70 anos, como no caso francês. No Brasil, não há idade mínima. "Essa é uma discussão a se fazer sem paixão. É uma questão de sustentabilidade, mas não há intenção de se debater o tema para quem já está no regime. Isso é para os futuros trabalhadores", reforçou o ministro.

Para Gabas, a aposentadoria mais tardia é questão de "justiça previdenciária", pois a população está envelhecendo. "Minhas filhas vão viver mais de 100 anos e, se elas se aposentarem aos 50, vão fazer o que nesse período, que ainda é de grande produtividade", questionou.

Mais uma vez, o ministro salientou que esse assunto caberá apenas ao próximo governo. Gabas já anunciou que apresentará ao presidente Lula uma proposta com alterações para o setor a ser encaminhada ao seu sucessor.

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