Para ministro, tarifas prejudicam etanol brasileiro

Tarifas da UE colocam etanol do Brasil em desvantagem, diz ministro do Comérco sueco.

Claudia Varejão Wallin, BBC

11 de setembro de 2007 | 08h56

O etanol do Brasil está sendo colocado em posição de "desvantagem" devido às tarifas impostas pela União Européia, apesar de ser produzido em condições favoráveis e de apresentar melhores resultados para a proteção do meio ambiente, segundo o ministro do Comércio da Suécia, Sten Tolgfors.Em entrevista à BBC Brasil, o ministro defendeu a criação de um mercado internacional de biocombustíveis para deter o aquecimento global. Tolgfors também defendeu tarifa zero para o álcool combustível. "É preciso eliminar todas as barreiras tarifárias impostas ao etanol", disse.As barreiras têm tornado os biocombustíveis mais caros do que o necessário na União Européia, disse Tolgfors. Segundo o ministro, o etanol produzido no Brasil tem atualmente um custo que é quase a metade do custo de produção do etanol europeu. Mas as tarifas que incidem sobre o etanol brasileiro fazem que os preços do produto atinjam praticamente os mesmos níveis do etanol europeu."O valor da tarifa imposta pela União Européia ao etanol é atualmente de até 55%, dependendo do preço do produto. Ao mesmo tempo, a tarifa européia para o petróleo é de apenas 5%", afirmou o ministro. Segundo Tolgfors, "simplesmente não faz sentido impor altas taxas a combustíveis renováveis como o etanol, e não aos combustíveis que provocam mudanças climáticas. Principalmente num momento em que estamos tentando ampliar a utilização do etanol"."Nós, os países da União Européia, precisamos estar preparados para eliminar barreiras tarifárias que não condizem com os ideais da Organização Mundial do Comércio", disse o ministro. Como país-membro da União Européia, a Suécia não pode tomar decisões unilaterais em termos de abolir ou mudar tarifas impostas pelo bloco.Para Tolgfors, a criação de um mercado internacional para biocombustíveis é essencial para conter a ameaça climática e promover o desenvolvimento, ajudando assim a reduzir a pobreza. Este será um dos principais temas do diálogo entre Brasil e Suécia durante a visita de Lula."O Brasil foi pioneiro na produção de álcool e é um ator fundamental no setor de biocombustíveis. A Suécia é um dos países pioneiros na transição da sociedade dos combustíveis fósseis para a sociedade do futuro, consciente da importância do meio ambiente. A cooperação concreta entre os dois países será de extrema importância", afirmou Tolgfors.Em diversos foros internacionais, o ministro tem defendido a utilização do sistema de comércio internacional para apoiar os objetivos da política global para o clima. Tolgfors tem a convicção de que um regime de comércio mais liberal é fundamental para promover a produção e o uso de biocombustíveis, além da criação de padrões e normas globais para o setor.Regras livres e abertas para o comércio internacional, segundo o ministro, são a forma mais eficiente de alocar recursos globais. E este princípio também deve se aplicar ao mercado emergente de biocombustíveis. Hoje, o comércio de biocombustíveis é limitado. Segundo a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, o comércio global de etanol representou menos de 10% da produção global em 2004. Parte da explicação para isto, segundo o ministro, está na presença de significativas barreiras comerciais. Eliminar estas tarifas, disse Tolgfors, beneficiaria tanto o meio ambiente como os países em desenvolvimento.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.