Para Moody's, governo deve cumprir o que estabelecer como meta

O vice-presidente da agência de classificação de risco Moody's e principal analista responsável pelo Brasil, Mauro Leos, falou em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que, "mais do que um número para o superávit primário, o importante é que o governo entregue de fato o que estabelecer como meta".

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2014 | 02h10

Segundo ele, tal objetivo formal definido pelo Poder Executivo, que será anunciado talvez na próxima semana, "precisará ser crível, para ajudar a resgatar a confiança" dos agentes econômicos e, de fato, ser executado.

Mauro Leos destacou que, por causa do aumento dos juros, que subiram de 7,25% para 10,5% desde abril de 2013, e da perspectiva de baixo crescimento do Brasil em relação ao seu potencial, seria necessário um superávit primário de 3% para reduzir a dívida bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

"Mas não é provável esperar esse número neste ano, por causa das restrições de expansão do País e de ordem política, em ano eleitoral. Isso deverá ficar para 2015", destacou o executivo.

Estados e municípios. O vice-presidente da Moody's espera que o governo entregue uma meta de superávit primário de 1,8% do PIB neste ano para o setor público consolidado. Esse número é um pouco inferior aos 2,1% do PIB previstos por ele no dia 6 de janeiro.

Leos não espera que a União compensará eventuais faltas financeiras de Estados e municípios para cumprir a sua parte no resultado do setor público consolidado, fato que já ocorreu no ano passado.

Como sua expectativa para 2014 é de um crescimento da economia de 2,1% e superávit primário de 1,8% do PIB, Mauro Leos estima que a dívida bruta em relação ao Produto Interno Bruto subirá, atingindo 61,6% neste ano - uma leve queda em comparação à previsão feita anteriormente, que era de 61,9% do PIB.

Na avaliação do vice-presidente da Moody's, a taxa básica de juros (Selic) ainda subirá mais 0,5 ponto porcentual e atingirá 11%. Sua projeção para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou estável, e é de alta de 5,7% para este ano.

De acordo com a Moody's, a nota soberana do Brasil é Baa2 e a perspectiva continua estável. Em setembro, a agência internacional de classificação de rating diminuiu a perspectiva do Brasil de positiva para estável.

Essa redução foi causada em grande parte pelo desempenho das contas públicas e pela perspectiva duradoura de baixo crescimento do PIB.

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