Para negociar com Mercosul, UE quer abertura na Venezuela

A União Européia (UE) alerta que a Venezuela também terá de promover uma abertura de seu mercado se for de fato participar das negociações entre o Mercosul e o bloco europeu para a formação de uma área de livre-comércio. Diplomatas europeus deixaram claro ao Mercosul que estão interessados em um maior acesso ao mercado de serviços venezuelano e que esperam que uma futura oferta do bloco sul-americano contemple também perspectivas de queda de barreiras na Venezuela. Regis Arslanian, embaixador brasileiro que se ocupa das negociações Mercosul-UE, confirmou o interesse de Bruxelas por um maior acesso ao mercado venezuelano. Mas revelou que o Mercosul ainda precisará definir de que forma Caracas irá participar das negociações externas do bloco. Segundo Arslanian, o tema da participação do governo de Hugo Chávez nas negociações com a Europa deverá ser tratado nesta semana, quando o Mercosul promove sua cúpula nos dias 18 e 19. "Vamos ver o que sairá dessa cúpula", afirmou o embaixador. O maior interesse dos europeus está relacionado com o setor de serviços e, para muitos exportadores de Bruxelas, a Venezuela seria um mercado com mais potencial para lucros que o Paraguai, outro sócio do Mercosul. A questão será saber, porém, como os venezuelanos estarão dispostos a participar de um processo de abertura de suas fronteiras ao mesmo tempo em que anunciam planos de nacionalização. "Todo o processo é ainda uma incógnita", afirmou um diplomata uruguaio em Bruxelas, em relação a participação de Caracas nas negociações com os europeus. Em novembro, os venezuelanos participaram pela primeira vez das negociações entre o Mercosul e os europeus, mas não fizeram nenhuma oferta. IndefiniçãoArslanian acredita que uma nova reunião entre o Mercosul e a Europa poderá ocorrer no início de fevereiro. "Estamos trabalhando com essa perspectiva", afirmou. Em Bruxelas, porém, porta-vozes da Comissão Européia indicam que existe a possibilidade de que o encontro seja adiado. Isso porque os europeus prefeririam focar suas atenções no momento no processo da Organização Mundial do Comércio (OMC), que vive um momento crítico. "Todas as atenções estão na OMC", afirmou Peter Power, porta-voz de Comércio da UE. No final do ano passado, o Mercosul e a UE voltaram a se falar para tentar retomar o processo, depois de meses de interrupção por falta de acordo entre os países. De um lado, o Mercosul pedia uma abertura maior dos europeus no setor agrícola. Já Bruxelas queria um compromisso maior do Mercosul na liberalização de serviços e bens industriais. Nos dias que antecederam o encontro, o embaixador brasileiro Regis Arslanian, que lidera os trabalhos do Itamaraty no processo com a Europa, chegou a afirmar que estava otimista com a possibilidade de que os europeus trouxessem algo para a mesa de negociações. Nada disso ocorreu e apenas ficou estabelecido que uma nova reunião, desta vez com novas propostas, seria realizada no final de janeiro em Bruxelas.Agora, com a indefinição sobre o que ocorrerá na OMC, os europeus prefeririam pedir um tempo antes de voltar a se reunir. Bruxelas sempre defendeu a tese de que não faria nenhuma concessão bilateralmente ao Mercosul sem saber o que teria de dar na OMC.

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