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Para Nobéis, é o fim do começo da crise

Stiglitz, Mundell e Prescott avaliam que os Estados Unidos não mostram recuperação e a situação pode piorar

Ricardo Leopoldo e Andréia Sadi, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2009 | 00h00

Três vencedores do Prêmio Nobel de Economia acreditam no risco de a crise financeira mundial piorar no curto prazo. Joseph Stiglitz, Robert Mundell e Edward Prescott - reunidos ontem no Exame Fórum, debate sobre crise econômica promovido pela revista Exame, na capital paulista - ponderam, com diferentes nuances, que boa parte do fim da recessão global depende dos acertos da política econômica adotada pelo governo do presidente americano, Barack Obama. Leia mais sobre os debates realizados no evento em São Paulo"A crise está no fim do começo e não no começo do fim", afirmou Stiglitz, referindo-se a alguns fatores que mostram que a economia dos Estados Unidos está longe de apresentar uma recuperação robusta.Para ele, um dos problemas é que a taxa de desemprego é bem elevada (8,9%). Mas, se fosse avaliada com metodologia mais ampla, ficaria próxima a 16%, segundo ele. "Há um problema de estoques elevados das empresas que, apesar de terem diminuído de tamanho recentemente, ainda são uma dificuldade grande (para o aumento das atividades das indústrias)", avalia. "O futuro é sombrio. A crise agora é diferente das outras nos períodos pós-guerras porque mostra o fracasso do nosso sistema financeiro."O acadêmico destacou que há mais dois problemas, como o fraco desempenho do setor da construção civil e a reestruturação ainda incipiente do sistema financeiro. "Os Estados Unidos vão perder uma década de crescimento", acredita StiglitzCom relação ao Brasil, Stiglitz avalia que o País tem boas políticas e mesmo assim foi afetado. Ele acredita que há espaço para reduzir juro, o que favorece uma recuperação para a economia. "O Brasil está numa boa posição. Eu costumava achar que juro alto era uma coisa ruim, mas vejam só. Nos Estados Unidos, a taxa é quase zero e não há mais espaço. Vocês, no Brasil, têm espaço para diminuir a taxa de juros." Para Robert Mundell, as medidas adotadas pelo governo americano, especialmente gastos fiscais para projetos de infraestrutura, não devem propiciar soluções no curto prazo, o que é ruim, segundo ele, para uma economia bem debilitada. "O melhor seria reduzir os impostos sobre lucros das empresas, pois assim ficariam estimuladas a retomar seus investimentos e aumentar o ritmo de produção. Mas nada, infelizmente, foi feito nessa direção. Por isso, estou um pouco cético."Edward Prescott também defende a redução de impostos, benefício recai especialmente sobre os cidadãos. "Há uma crise de demanda, que precisa subir, embora não acredite que haja riscos de ocorrer depressão. Tributos menores certamente vão auxiliar as famílias a consumir mais, o que é essencial para a retomada dos investimentos nas empresas."

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