Para Nobel de Economia, estratégia de Lula é arriscada

O Prêmio Nobel de Economia de 2001,Joseph Stiglitz, disse que a estratégia econômica conservadorado governo de Luiz Inácio Lula da Silva é arriscada, pois podenão trazer de volta o crescimento econômico. Neste caso, Lulanão terá como cumprir suas promessas sociais e poderá se ver emapuros. Stiglitz acredita que o estabelecimento de controles de capitais e a renegociação das dívidas públicae, se necessário, externa, seriam uma alternativa para o Brasil, pois liberaria recursos públicospara sustentar uma volta muito mais rápida ao crescimento. Emtermos econômicos, o Prêmio Nobel considera esta segunda opçãomelhor. Em termos políticos, porém, ele a vê como maisarriscada. Stiglitz afirma que os dois caminhos apresentam riscos, e nãose pode criticar Lula por sua opção. "A estratégia (de Lula) é conservadora em algunsaspectos e arriscada em outros. O objetivo é ganhar a confiançado mercado, com políticas fiscal e monetária tradicionais parafazer as taxas de juros caírem e o crescimento voltar. Se dercerto, ele conseguirá implantar sua agenda social, com amploapoio da sociedade. O risco é que as taxas de juros não caiam eo crescimento não volte. Aí, o que ele vai fazer?", questionouStiglitz, que falou aO Estado por telefone, da sua casa, em NovaYork. Ele hoje é professor da Universidade de Columbia, emManhattan, e seu novo livro, ´Os Exuberantes Anos 90´, está paraser lançado no Brasil. Para Stiglitz, o principal problema de Lula é o grandeendividamento herdado do governo de Fernando Henrique Cardoso. Oeconomista, que ganhou o Nobel com mais dois colegas portrabalhos sobre a imperfeição dos mercados, acredita que Lulapoderia ter seguido o exemplo da Malásia, que estabeleceucontroles de capital durante a crise econômica do Leste asiático em 1997. Para o economista, o Brasil "poderia usar oenorme volume de dinheiro que vem sendo empregado para pagar oscredores para reavivar a economia e financiar programassociais".

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