Para o BIS, papéis de emergentes mantêm alta

Aposta do banco para 2008 tem como base resultados do 3.º trimestre

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2007 | 00h00

O mercado financeiro deve continuar apostando nos papéis das economias emergentes em 2008. A avaliação é do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), que publica hoje seu relatório trimestral na Suíça. Mas a instituição, que é o banco central dos bancos centrais, confirma que a turbulência nos mercados de crédito teve "duro impacto" sobre os mercados financeiros nos últimos meses, com estagnação de novas emissões. O motivo: a redução do apetite ao risco nesse momento pelos investidores. Segundo o BIS, no terceiro trimestre os papéis dos países emergentes tiveram resultados mais positivos que os das economias industrializadas. Entre julho e setembro, a percepção foi de que o impacto de uma crise seria "mais limitado" nas emergentes do que nos países industrializados. Muitos apostaram na continuidade do crescimento robusto de lucros. Os resultados foram positivos para os emergentes, ainda que a tendência tenha se enfraquecido a partir do fim de outubro. Segundo o BIS, investidores passaram a temer a sustentabilidade dessa separação entre emergentes e industrializados. Mesmo assim, os ganhos nos emergentes, de 17 de agosto até o início de novembro, chegaram a 24%. Para o banco, com sede na Basiléia, os papéis das economias emergentes vão continuar a ter resultados satisfatórios em 2008, principalmente diante de uma alta do PIB mundial de 4%, puxada pela China. Mas se essa é parte do cenário, o BIS confirma que as novas emissões no terceiro trimestre ficaram abaixo da média. As emissões no mercado de dívida no período no mundo foram de US$ 396 bilhões, menos da metade do volume do segundo trimestre e queda de 4% no ano. No Brasil, o resultado positivo de US$ 3,7 bilhões no segundo trimestre foi revertido para US$ 2,9 bilhões negativos. A mesma tendência foi registrada na América Latina. Até junho, somava US$ 16,4 bilhões. No terceiro trimestre, foi negativo em US$ 5,5 bilhões. A redução mundial foi a primeira em dois anos e ficou distante da média de crescimento de novas emissões de 7% a cada trimestre desde 2003. Entre abril e junho, a alta havia sido de 18%. As novas emissões em euro, por exemplo, caíram 9%, com US$ 90 bilhões. As emissões em dólar ficaram estagnadas, após crescimento de 17% no trimestre anterior. Queda similar foi registrada com a libra esterlina. Pela primeira vez desde os anos 80, as novas emissões na Alemanha foram negativas em US$ 20 bilhões. O BIS também verificou perda de ritmo nos empréstimos nos bancos privados. Nos Estados Unidos subiram 4%, com US$ 190 bilhões. Entre abril e junho, o crescimento foi de 22%. O impacto foi sentido de maneira ainda mais forte nos mercados emergentes. As emissões no Leste Europeu caíram 75% ante o trimestre anterior. Já na Ásia foram de apenas US$ 1 bi, a menor desde 2001. RECUPERAÇÃONo início de outubro, os valores de papéis de maior risco começaram a se recuperar, graças à maior confiança de que o problema não seria sistêmico. Outro fator teria sido a ação dos bancos centrais. Essa recuperação não significou o fim das incertezas. A questão hoje é saber, segundo o BIS, até que ponto esse cenário afetará o crescimento da economia americana. Outra preocupação é com os sinais de uma volta da inflação nos Estados Unidos e na Europa.

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