Para o ´Clarín´, o que falta é competitividade

O problema fundamental da chamada "guerra das geladeiras" não é uma suposta invasão de produtos brasileiros, mas a falta de competitividade da indústria argentina. Está é a linha básica do artigo "Um passo atrás na marcha do Mercosul", publicado ontem por Daniel Muchnik no jornal Clarín, do qual é secretário de redação. Muchnik, professor de História e autor de 13 livros, assinala que o Mercosul oferece um mercado tentador de 200 milhões de pessoas para a Argentina, e em vez de se aproveitar disso, o país "joga quase sempre na defesa, procurando impedir a ´invasão´ brasileira, quando o processo deveria ser o oposto".E indaga: "Imaginemos o que aconteceria se a Argentina se integrasse a uma variante da Área de Livre Comércio das Américas. Em vez de geladeiras e televisores feitos no Brasil, viriam os fabricados nos Estados Unidos. Então, surge a pergunta, se a indústria nacional não consegue competir com o Brasil, poderia competir com os Estados Unidos?" O jornalista observa que as cotas de importação de produtos brasileiros representam um passo atrás para o Mercosul. "Os últimos acontecimentos não podem ser considerados normais, embora os momentos de rusgas e desavenças já tenham se tornado clássicos entre Brasil e Argentina", afirma, concluindo: "A Argentina tem um problema doméstico. Ganhou ´competitividade´ com a desvalorização, não com investimentos. Ganhou ´competitividade´ com salários baixos, não com produtividade. Ganhou ´competitividade´ com protecionismo, não com competência".

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