Para o IBGE, taxa de desemprego é de 6,5% em março

Rendimento médio real aumentou 0,5% ante fevereiro e 3,8% na comparação com março de 2010 e vai a R$ 1.557

Daniela Amorim / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

A taxa de desemprego ficou praticamente estável em março, em 6,5%. Mas o resultado foi o melhor para o mês desde o início da série histórica, iniciada em março de 2002. A pesquisa, apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País, revelou outra boa notícia para o trabalhador: o rendimento médio real aumentou 0,5% ante fevereiro e 3,8% sobre março de 2010, atingindo R$ 1.557,00.

"A qualidade de emprego em 2011 está se firmando. O mercado não só se formaliza como também paga mais", diz o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado permaneceu estável na margem, com 10,7 milhões de empregados registrados. Mas, na comparação com março de 2010, houve alta de 7,4%, com 739 mil novos postos.

O bom desempenho do mercado de trabalho, porém, contribui para elevar o ambiente de pressão inflacionária, na opinião de alguns economistas. "A taxa de desemprego está muito baixa. É um risco que pode vir a gerar pressões inflacionárias nos próximos meses. Os salários reais estão crescendo acima dos ganhos de produtividade", alertou José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio.

O economista Samuel Pessoa, sócio da Tendências, também vê nos números um sinal de pressão. "As medidas macroprudenciais de contenção do crédito e os juros mais altos ainda não foram sentidos na geração de emprego. Mas a equipe do governo que acompanha as pressões sobre a inflação não analisa um indicador apenas, e sim um conjunto de fatores", ponderou. Na Tendências, a projeção é de alta de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros ao final da reunião do Copom, hoje.

O coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Pires Messenberg, não vê motivos para preocupações com a inflação.

Segundo ele, o movimento do mercado de trabalho em 2011 mostra tendência a acomodação, fruto da desaceleração da economia.

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