Para OCDE, País deve sanear finanças públicas

Antes de pensar em ajudar a Europa a resgatar a economia da zona do euro, o Brasil deveria se concentrar na consolidação de sua política fiscal. A recomendação foi feita ontem pela economista da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) Annabele Mourougane, coautora do mais recente relatório da entidade sobre a economia brasileira, cujas projeções foram criticadas pelo Ministério da Fazenda.

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO , O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2011 | 03h05

Ao lado do colega Jens Arnold, economista da OCDE que também assina o relatório, ela apresentou as conclusões do trabalho na Fundação Getúlio Vargas, no Rio. A OCDE elogiou a prioridade dada à questão fiscal pelo governo, mas disse que o saneamento das finanças públicas é primordial para o Brasil enfrentar o que aponta como principal desafio macroeconômico: dominar a inflação no atual contexto de abundante liquidez mundial.

Questionada se o Brasil deveria ou tem condições de atender ao pedido de ajuda aos emergentes ensaiado pela União Europeia para ampliar seu fundo de estabilidade financeira, Annabele disse que o País deve priorizar o próprio equilíbrio fiscal para enfrentar o cenário internacional adverso e remover os obstáculos que limitam o crescimento potencial da economia.

"Está claro que o Brasil está hoje numa situação fiscal bem melhor do que a de muitos países na Europa, mas achamos que a consolidação fiscal é ainda uma questão muito importante para o País", respondeu a economista, mencionando a necessidade de redução das taxas de juros, as mais altas do mundo.

"Não recomendaríamos ao Brasil gastar muito dinheiro agora, mas acho que isso (a ajuda financeira à Europa) é mais uma questão política do que econômica." No relatório, a OCDE recomenda a adoção, a médio prazo, de uma meta plurianual para o orçamento global e de um teto para o crescimento das despesas até mesmo como forma de preservar os investimentos sociais e em infraestrutura.

O trabalho prevê crescimento da economia brasileira abaixo de 4% e inflação perto do limite de 6,5% nos próximos dois anos, o que levou o secretário de Política Econômica da Fazenda, Marcio Holland, a apontar "inconsistências".

Ontem, Jens Arnold apontou o baixo nível de investimentos, apesar do crescimento recente, como um dos limitadores para um crescimento mais robusto do Brasil, que, conjugado com os progressos sociais recentes, alcançar o nível de rendimento per capita dos países desenvolvidos, membros da OCDE.

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