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Para onde vamos?

Como sair deste clima de tensão permanente e indefinição com o futuro?

Suely Caldas, O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2016 | 05h00

Para onde vamos em 2017? Não há resposta clara e definitiva à pergunta, por enquanto só dúvidas e incertezas. A começar pelo comando do País. O presidente Michel Temer não sabe se concluirá o mandato-tampão, esforça-se para chegar lá e ganhou algum fôlego ao permitir a 10 milhões de trabalhadores sacarem seu saldo das contas inativas do FGTS, injetando R$ 30 bilhões na economia – dinheiro que será usado para pagar dívidas de trabalhadores e suas famílias ou gastar em consumo, mas com poder limitado para gerar crescimento imediato, no máximo um alívio momentâneo, sem vida longa.

Por outros caminhos Dilma Rousseff seguiu linha semelhante e fracassou, porque não seguiu o caminho certeiro e estrutural de fomentar investimentos na produção e na infraestrutura (e como anda o empacado programa de privatizações de Temer?). O curioso é que o governo do PT, que diz representar os trabalhadores, usou dinheiro da população para beneficiar empresas com renúncias tributárias sem exigir contrapartida de manutenção dos empregos. Já o governo Temer usou dinheiro do FGTS, que já pertence aos trabalhadores, portanto sem comprometer dinheiro público.

Temer se move no fio da navalha da impopularidade, da interminável crise política, da relação instável com o Congresso, com a economia patinando, pressões até da base aliada pela sua renúncia e temor pelo julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da chapa Dilma-Temer. E a população indagando: Até quando? Como sair deste clima de tensão permanente e indefinição com o futuro? E com Temer fora? Que credibilidade e respeito teria este Congresso – que protagonizou aquele espetáculo de horrores na aprovação do impeachment na Câmara e tem suas lideranças mais expressivas enroladas com a Justiça – para eleger o novo presidente? Antecipar as eleições diretas de 2018 seria uma saída? O risco é o País parar com a campanha eleitoral e o Congresso adiar a aprovação de matérias importantes para a economia voltar a crescer, como as reformas da Previdência e a minirreforma trabalhista anunciada esta semana. FHC tentou e não conseguiu, mas, se a proposta de prevalecer o negociado sobre o legislado for aprovada no Congresso, será um bom avanço.

2016. Ano difícil este 2016. Na política, os brasileiros viveram fortes emoções: impeachment de Dilma; presidente da Câmara cassado e preso; presidente do Senado usando o cargo para salvar a própria pele; ex-governador do Rio na cadeia; ex-presidente Lula réu em cinco processos e na mira de ser preso; a crise política, sem dar trégua, devorou seis ministros em seis meses de gestão Temer; o dono da maior empreiteira do País está há mais de um ano atrás das grades; e a Operação Lava Jato segue de vento em popa, porque não para de descobrir crimes de corrupção da classe política. Além disso, o terror Donald Trump ronda o mundo e o Brasil; Fidel Castro escolheu 2016 para morrer; e o Prêmio Nobel de Literatura foi para um roqueiro.

Na economia, estão no ar as primeiras medidas para tirar o País da recessão e outras sairão do radar da equipe econômica. Mas a recuperação da confiança dos investidores e da população – essencial para acelerar resultados – não conseguiu êxito, abalada que foi pela crise política, pelo envolvimento de quadros do governo com a Lava Jato e pela queda da arrecadação tributária, que levou Estados e prefeituras à falência. Porém, deste desencanto com resultados contrastam dois setores que obtiveram êxito mais cedo do que o esperado pela simples razão de atuarem com independência, sem interferência do governo e aplicando uma gestão competente e responsável: o Banco Central vai fechar o ano com a inflação dentro da meta e a Petrobrás conseguiu recuperar um degrau em sua classificação de risco.

Aos queridos leitores, um alegre Natal e um feliz ano-novo!

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