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Para ONU, Bovespa é exemplo internacional

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) parece estar preparada para exportar idéias para outros países. Iniciativas de estímulo à responsabilidade social, à governança corporativa e à integração de pessoas físicas no mercado de capitais despertaram o interesse internacional e não devem demorar muito para serem replicadas em outros mercados.Ao menos esta é a opinião do sub-secretário geral da Organização das Nações Unidas, Zéphirin Diabré, que aproveitou sua vinda ao Brasil para conhecer a sede da Bovespa neste sábado.Diabré veio ao País com o objetivo principal de participar da conferência internacional "Democracia, Participação Cidadã e Federalismo", aberta ontem, em Brasília. No entanto, a visita à Bovespa foi realizada à pedido da própria ONU, como parte dos esforços para buscar em diversos países idéias capazes incentivar o desenvolvimento social e democrático.Entre os temas que foram alvo dos elogios de Diabré estão o Novo Mercado da Bovespa, que engloba a listagem de ações de empresas com alto grau de governança corporativa, e a Bolsa de Valores Sociais, projeto criado com o objetivo de levantar fundos para projetos de organizações não-governamentais. "Muitas das coisas que vemos aqui deveriam servir de exemplo para as bolsas de todo o mundo", afirmou Diabré. "Saio com a impressão de que o Brasil não tem nada a aprender com outros países no que se refere a esse assunto", afirmou Diabré.O sub-secretário, que também é administrador-adjunto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), elogiou principalmente programas da Bovespa para estimular a entrada de pessoas físicas e pequenos investidores em geral no mercado de ações. "Permitir que o mercado de ações seja acessível a todas as pessoas é exatamente o tipo de posicionamento que queremos ver. Nossa visão é que, para que o capitalismo possa funcionar, é indispensável que ele seja popular", comentou.Um dos exemplos de esforços da Bovespa nesse sentido é a instalação de escritórios próprios no interior de centrais sindicais. O projeto oferece a trabalhadores em geral a possibilidade de conhecer melhor o funcionamento do mercado de ações, mostrando que a aplicação em bolsa não é uma possibilidade restrita apenas a investidores institucionais. "Trata-se de reunir pequenos investidores, com pequenos investimentos, para fazer uma grande poupança para o Brasil", explica o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho.Na avaliação de Diabré, os programas diferenciados desenvolvidos pela Bovespa são inclusive uma das explicações de sua relevância no cenário internacional. De acordo com dados de setembro deste ano, a bolsa brasileira responde, por exemplo, por 66% das transações realizadas em toda a América Latina. A segunda maior bolsa da região, a do México, responde por apenas 19%.Para Magliano, a visita de Diabré surge como uma ótima oportunidade para transformar a Bovespa em uma referência mundial. "Isso tudo é muito bom para nossa auto-estima. Trata-se de uma oportunidade de mostrar lá fora que a bolsa pode ser um elemento de integração social", afirmou.

Agencia Estado,

04 de dezembro de 2004 | 15h28

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