Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para oposição, novo rebaixamento reforça necessidade de saída de Dilma

Segundo a agência de classificação de risco, decisão foi motivada, entre outras razões, pela 'dinâmica política desafiadora'

Igor Gadelha e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2016 | 12h43

BRASÍLIA - Líderes de partidos da oposição na Câmara dos Deputados aproveitaram a perda do grau de investimento do Brasil pela Moody's, anunciada na manhã desta quarta-feira, para criticar o governo. Para opositores, o rebaixamento do País pela terceira grande agência de classificação de risco reforça a necessidade de afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo.

Segundo o presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), a decisão da agência mostra que o Brasil não tem perspectiva. Para ele, o projeto da presidente Dilma Rousseff é se manter no poder e as agências percebem esse movimento. Para o tucano, mesmo em um presidencialismo forte como o brasileiro, o Executivo não apresenta mais perspectiva de apresentar e aprovar no Congresso uma agenda por não conseguir mobilizar sua base em favor de reformas estruturantes. Ele disse que a oposição continuará na mesma estratégia que vem adotando, ou seja, se a matéria em debate for de interesse do País, contará com seu apoio.

A Moody's foi a terceira das principais agências de classificação de risco a rebaixar o Brasil. A nota do País foi cortada em dois graus, para Ba2, com perspectiva negativa. No comunicado, a agência diz que a decisão foi motivada, entre outras razões, pela "dinâmica política desafiadora", que continua a complicar os esforços de consolidação fiscal do governo e a atrasar as chamadas reformas estruturantes. 

"Dilma fez o Brasil receber o selo de caloteiro. A superação dessa crise só se dará com a saída dela do governo", disse o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR). "Hoje ela não tem mais nenhuma credibilidade para aprovar um ajuste fiscal no Congresso". Para o parlamentar paranaense, só um novo governo, de aliança nacional, pode promover uma "virada" no País. 

Para o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), o rebaixamento reflete a situação "calamitosa" das contas públicas do Brasil, "destroçadas pelos repetidos erros deste governo e pela gastança pré-eleitoral, quando os petistas fizeram de tudo para poder se perpetuar no poder". "Isso ratifica a percepção de que a situação fiscal do País é dramática. Se Dilma continuar no poder, o País vai continuar ladeira abaixo". 

O presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), avaliou que a crise institucional pela qual o Brasil passa como principal motivo do terceiro rebaixamento do País pela Moody's. "A agência classifica o governo brasileiro como caloteiro, e é isso que são mesmo. O PT está em crise institucional, com suas principais lideranças políticas na cadeia", disse. 

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