Nelson Almeida/AFP
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Para os novos super ricos, a vida é muito mais do que uma praia

Os ricos de hoje cruzam o globo quase mensalmente em busca de novos negócios, entretenimento e status intelectual

The New York Times

22 de junho de 2015 | 17h34

Jean Pigozzi, o capitalista de risco e colecionador de arte, estava espairecendo ao lado da piscina em sua villa em Cap d`Antibes, no início deste mês, gozando de uma rara parada do que chama de "o circuito".

Depois de participar do Fórum Econômico Mundial em Davos, em janeiro, ele voou para as conferências de ideias TED em Vancouver, se misturando com pessoas da laia de Yuri Milner, o investidor em tecnologia, e Larry Page do Google no "jantar dos bilionários". Em seguida vieram os leilões de arte em Nova York e o Festival de Cinema de Cannes, onde ele ofereceu uma festa em torno da piscina à qual compareceram Woody Allen, Uma Thurman e o bilionário Paul Allen.

Nas próximas semanas, após a feira Art Basel, ele estará fora para o torneio de tênis de Wimbledon e a megaprocissão de iates de verão de St. Tropez a Portofino e Capri no Mediterrâneo.

"Nós circulamos pelo mundo afora para encontrar algumas das mesmas pessoas", disse Pigozzi. "É um circuito. Há muitas festas, claro. Mas você ficaria surpreso com a quantidade de negócios fechados."

Os novos ricos desenvolveram seu próprio padrão de migração anual. Enquanto os ricos do passado viajavam sobretudo em busca de lazer e clima - as brisas oceânicas da Nova Inglaterra no verão e os campos de golfe ensolarados de Palm Beach no inverno - os ricos de hoje cruzam o globo quase mensalmente em busca de acesso, entretenimento e status intelectual. Viajando em bandos de jatos privados G5 e Citation, eles criaram um novo calendário social de conferências econômicas, eventos de entretenimento e festas e leilões de arte exclusivos. E, na nação separada dos ricos, os cidadãos não falam mais em termos de países. Eles simplesmente dizem, "Nos veremos no Art Basel".

Uma análise usando dados da NetJets, a empresa de jatos privados, e estudos da Wealth-X, uma empresa que pesquisa fortunas, oferece uma panorama dos itinerários de voo anuais do circo ambulante dessa elite. Ele começa em janeiro em St. Barts`s, com a festa de Véspera do Ano Novo oferecida pelo bilionário do petróleo Roman Abramovich em sua propriedade de 28 hectares à qual comparecem altas celebridades e magnatas dos negócios e da mídia e atrações como a banda Red Hot Chilli Peppers. Depois disso, é a vez do Fórum Econômico Mundial em Davos, em seguida a Conferência Global do Instituto Milken em Beverly Hills, onde este ano político como Tony Blair e Wesley Clark, junto com bilionários de fundos hedge e private equity como Ken Griffin e Leon Black papeavam sobre a economia global.

Os leilões de arte em Nova York em maio encerram a primavera. Depois é voltar à Europa para o Festival Internacional de Cinema de Cannes, o Grand Prix de Monaco, o Art Basel e a corrida de cavalos Royal Ascot na Grã-Bretanha. No verão, os ricos se dispersam para os Hamptons, Nantucket, o Sul da Franca e outros resorts. Uma carreira de megaiates navega pelo Mediterrâneo da França à Itália, entre eles o Rising Sun de 453 pés (135 metros) de David Geffen e o Serene de 436 pés (130 metros) do magnata da vodca Yuri Shefler.

No final de agosto, os ricos amantes de carros se dirigem para Pebble Beach para a feira e os leilões de autos Concours d`Elegance onde, no ano passado, uma Ferrari antiga foi vendida por US$ 38 milhões. Depois é retornar a Nova York para a Clinton Global Initiative para filantropia misturada com socialização, com idas e voltas através do Atlântico para a feira de arte Frieze London, os leilões de outono em Nova York e a Ar Basel Miami Beach.

David Friedman, o presidente da Wealth-X, disse que muitos dos ricos de hoje são empresários que triunfaram pelo próprio esforço e que valorizam conexões de negócios e fazer acordos enquanto descansam na praia. Poder dizer que você papeou sobre carros autoguiados tomando uns drinques em Sun Valley com Sergei Brin do Google sugere muito mais status do que um bronzeado de inverno de esquiar em Gstaad.

Assim como querem um retorno de seus investimentos em filantropia, os ricos agora querem um retorno de seu tempo de lazer. "Quando eles viajam ou socializam, é preciso haver algum valor de negócio redentor", disse Friedman. "Eles querem uma transação, mesmo de seu calendário social."

O calendário é um circuito de acesso fechado porque os ricos querem ser vistos, disse ele, mas somente uns pelos outros. Com a indignação sobre desigualdade impelindo mais fortunas para a "clandestinidade", gastos exorbitantes e hedonismo público se tornaram menos elegantes nos círculos muito ricos. Mas a competição por status entre os novos bilionários nunca foi tão forte.

"Eles podem ser um grupo esquizofrênico", disse Friedman. "Querem ser privados e não querem ser alvos do público. Mas querem uma comunidade. Esses eventos seletivos ao longo do ano lhes dão essa comunidade de pessoas com a mesma mentalidade, sem eles terem de lidar com o público."

É verdade que alguns super-ricos frequentam apenas um ou dois eventos do calendário. E o circuito têm ramificações a depender dos interesses. Os colecionadores de arte estarão em peso nas feiras e leilões de arte, mas podem participar de poucas outras coisas. A multidão equestre acorre ao Kentucky Derby na primavera e ao leilão de potros de Keeneland em setembro; magnatas da mídia vão à conferência de Allen & Cia em Sun Valley em julho, enquanto os devotos da moda vão à Fashion Week em Nova York e aos desfiles de alta costura em Paris. Os gourmets vão à Aspen Food & Wine Classic em junho e à Itália para a temporada de trufas brancas.

À medida que surge na Ásia uma enorme camada rica, eventos como os leilões de vinho de Hong Kong e o Art Stage Singapura se tornarão grandes ramificações do circuito. Por enquanto, muitos dos super-ricos da China e de outros mercados emergentes estão se juntando às elites existente em eventos na Europa e nos Estados Unidos.

Grandes eventos esportivos e de entretenimento são datas cruciais para os ricos. A NetJets diz que o Super Bowl foi um dos maiores eventos de voos do ano passado; 250 de seus jatos desceram em Phoenix para o jogo, e semanas depois, 250 a 300 deles saíram para o Masters Golf Tournament em Augusta, Georgia. Chegaram tantos jatos privados em Las Vegas, no mês passado, para a luta de Floyd Mayweather e Manny Pacquiao que alguns foram redirecionados para aeroportos próximos.

Outros grandes eventos da NetJets são o Festival de Cinema de Cannes, com mais de 200 voos, e a Art Basel, com 200 a 250 voos. Toda primavera, mais de 100 aviões da NetJets seguem para a reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway de Warren Buffett, conhecida como a "Woodstock para Capitalistas", em Omaha, Nebraska (a NetJets pertence à Berkshire).

"Esses eventos lhes dão um sentimento de segurança e pertencimento", disse Patrick Gallagher, chefe de vendas da NetJets. "São pessoas com gostos e interesses semelhantes."

Aliás, há tantos ricos entrando no circuito que Pigozzi disse que está surgindo um novo "supercircuito", que tem eventos VIP dentro de eventos VIP. Nas conferências TED, o muito apropriadamente chamado "jantar dos bilionários" realizado paralelamente se tornou um dos ingressos mais cobiçados. E os verdadeiros magnatas da mídia agora comparecem ao Festival Internacional de Publicidade de Cannes, algumas semanas depois do Festival de Cinema de Cannes.

"O festival de publicidade é a coisa importante agora", disse ele. "O festival de cinema ficou convencional demais."

Tradução de Celso Paciornik

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