Para parlamentares, decisão de Chávez não afeta Brasil

A decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de nacionalizar empresas do setor de telefonia e energia não deve afetar negativamente a visão dos investidores sobre o Brasil, avaliam parlamentares ouvidos pela Agência Estado. Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), o fato de o Brasil já ter mais de uma década de estabilidade econômica e uma clara disposição de respeitar os contratos diferencia a situação do País. "O investidor consegue diferenciar o Brasil. Prova disso é que nós passamos recentemente de forma tranqüila pelas turbulências geradas na Tailândia. O Brasil só não atrai mais investimentos externos por conta dos equívocos no marco regulatório", disse o senador.O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana, também não vê ameaça para o Brasil na decisão venezuelana. "A autonomia de cada país não pode colocar sob questão nossa política. Nós temos o nosso caminho. Essa foi uma decisão tomada por um país dentro de sua soberania e não me parece razoável misturar o Brasil com essa decisão", afirmou o petista, sem tecer comentários sobre a atitude de Chávez.Arthur Virgílio, por sua vez, considerou a decisão de Chávez "extremamente prejudicial para a Venezuela" e destacou que o líder daquele país é "apenas mais um caudilho que tem nas mãos uma commodity de alto valor (petróleo)". O líder tucano afirma que Chávez está dilapidando o maior patrimônio do País e, em um momento em que os preços apontam para baixo, o presidente venezuelano deveria fazer o movimento inverso e se mostrar amigável aos investidores estrangeiros. "Ele deveria discutir uma possível redução na produção de petróleo para segurar os preços e trabalhar para tornar seu país mais atrativo ao capital estrangeiro", afirmou.Em relação a potenciais riscos para investimentos brasileiros na Venezuela, Henrique Fontana afirmou que decisões deverão ser avaliadas no momento oportuno, mas considera que a postura do governo brasileiro em relação à crise na Bolívia deverá ser a referência. "Os assuntos deverão ser levados aos foros adequados, sem gerar uma crise global de relacionamento por conta de uma decisão específica", afirmou o líder do PT.

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