Para Petrobrás, aumento no preço do gás garante novos investimentos

A nova diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Graça Silva Foster, assumiu o cargo defendendo a atual política de preços da empresa para o gás natural, criticada pelas distribuidoras, que temem mais aumentos. ''''A política deve assegurar rentabilidade para permitir a manutenção dos investimentos'''', afirmou ontem , em entrevista coletiva. Na segunda-feira, o preço do gás boliviano subiu, em média, 9%. O gás nacional aumentou 7%. O repasse às distribuidoras foi imediato.Os reajustes são fruto de revisões trimestrais previstas em contrato e não refletem as fórmulas de cálculo que estão sendo negociadas com as distribuidoras desde a virada do ano. Graça reafirmou que a nova política vai considerar o custo dos investimentos na cadeia do gás e a comparação com os combustíveis concorrentes - óleo combustível, no caso da indústria, e gás natural liquefeito (GNL), no caso das térmicas.''''A remuneração (com a venda do gás) tem de pagar os investimentos feitos em toda a cadeia, que inclui transporte e produção'''', frisou, afirmando que a empresa também se preocupa em manter um preço atrativo para os clientes. ''''Não adianta ter rentabilidade que mate o consumidor.''''As mudanças na política de preços do gás começaram em meados de 2005, com a retirada dos descontos concedidos desde 2003. Um dos objetivos era conter o crescimento do consumo, que chegou a taxas anuais de 20%, por causa do estrangulamento da oferta.Desde o fim dos descontos, a alta no preço do gás chega perto dos 70%, refletindo o aumento do petróleo no período. Na terça-feira à noite, o secretário-executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Francisco Barros, reclamou que os sucessivos aumentos vêm minando a competitividade do gás natural veicular (GNV) em relação à gasolina e ao álcool . Para ele, não há política de longo prazo para o setor.DISTRIBUIÇÃOGraça afirmou que a Petrobrás continua interessada em ampliar sua participação na distribuição de gás canalizado. A estatal está hoje em 20 das 25 distribuidoras do País, mas tem uma fatia de apenas 40% nas vendas. ''''Nos grandes mercados, a Petrobrás não participa'''', reclamou, referindo-se ao Rio, onde a distribuição é controlada pela espanhola GasNatural, e a São Paulo, que tem três distribuidoras privadas. ''''Não há nenhuma ação explícita de aquisição de distribuidora, mas estamos atentos às boas oportunidades'''', disse.Questionada sobre seus planos para a diretoria, que assumiu na semana passada, Graça afirmou que sua gestão será pautada pela continuidade. ''''Não muda absolutamente nada. Entro com o único propósito de atuar fortemente no desenvolvimento dos projetos da área'''', afirmou. ''''Meu trabalho parece ser mais fácil do que o de meus antecessores, que tiveram que criar essa estrutura'''', concluiu, citando as três pessoas que passaram pelo cargo, criado em 1999: Delcídio Amaral, Antônio Luiz de Menezes e Ildo Sauer.

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

04 de outubro de 2007 | 00h00

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