Para Petrobrás, barril a US$ 37 ainda é lucrativo

Segundo Gabrielli, investimento no pré-sal compensa mesmo a valores baixos porque produtividade esperada é alta e custo relativo se dilui

Rolf Kuntz, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

O investimento na camada do pré-sal será lucrativo com preços na faixa de US$ 37 a US$ 45 por barril de petróleo, disse ontem o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que integra a comitiva brasileira no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Valores entre US$ 60 e US$ 80, mencionados no dia anterior pelo presidente da British Petroleum, Tony Hayward, são baseados no custo médio dos poços em águas profundas de outros países, acrescentou. O preço necessário para tornar lucrativo o pré-sal é mais baixo, segundo o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, porque a produtividade esperada é alta e os custos serão proporcionalmente mais baixos. O plano da Petrobrás, disse Gabrielli, é continuar investindo durante a crise financeira, para estar em boa posição quando a economia global voltar a crescer. O mundo precisa, explicou, repor anualmente uma capacidade de extração de dez milhões de barris por dia, volume parecido com a capacidade de produção da Arábia Saudita. O dinheiro para investir em 2009 está garantido, de acordo com o presidente da Petrobrás. Está prevista uma geração de caixa de US$ 10 bilhões, valor já livre do pagamento de amortizações e dividendos, segundo Barbassa. Além disso, já estão assegurados, segundo informaram os dois diretores, financiamentos equivalentes a US$ 18 bilhões: US$ 12 bilhões serão fornecidos pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e US$ 5 bilhões por um grupo bancos. Falta, segundo Barbassa, apenas o acerto de detalhes. Os US$ 5 bilhões, acrescentou, serão empréstimos-ponte. A ideia é pagá-los com a emissão de títulos no mercado. As condições de acesso às fontes internacionais tendem a melhorar, comentou Gabrielli, e um sinal disso é a captação de US$ 2,7 bilhões pela mexicana Pemex, com taxa de 8,25% ao ano. A empresa estatal deve explorar também outras frentes. Agências de financiamento de exportação da China, dos EUA e do Japão poderão conceder empréstimos garantidos por meio de fornecimento de petróleo. A Petrobrás entraria como fonte alternativa, assumindo um papel estratégico.

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